Sem meias palavras, Gisele é o exemplo de personalidade, de empreendedorismo e do que pregam os ambientalistas, consciência socioambiental.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Ela é a grande TOP
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
3 x sexo
Como um sinal inequívoco de que, apesar dos infelizes Bolsonaros, o mundo avança na obra, moderna por definição, de desmontar preconceitos, numa mesma semana tive encontros com três representações de questões fundamentais da sexualidade. Representações que nos ajudam a compreender melhor essa dimensão central do sujeito que é a sexualidade, contribuindo politicamente para livrá-la do obscurantismo e de suas consequências: neuroses intensas, vidas desperdiçadas, explosões de violência. A presente edição da revista “Trip”, o filme “Céu sobre os ombros” e a série televisiva “Oscar Freire 279” tematizam questões como homofobia, prostituição, travestismo e monogamia — sempre com desassombro e inteligência.
A excelente edição da “Trip” traz uma entrevista de Zé Celso (que se define, gloriosamente, num lance de anti-identidade, como homem sexual); uma matéria com pessoas que mantêm relações grupais amorosas e sexuais; e um retrato passado- presente da dupla Luhli e Lucina, que nos anos 70 viveu um casamento a três, um “trisal”, como elas chamam. São formas de vida que não se deixaram intimidar pela monogamia compulsória, fonte de tantos sofrimentos. Sim, pois a monogamia ocupa um lugar simbólico análogo ao das drogas na nossa sociedade: uma mistura de tabu e hipocrisia. As drogas, quase todo mundo nega, mas muita gente usa; a monogamia, muita gente exige, mas quase todo mundo descumpre. Assim como acontece com a política fracassada das drogas, o obscurantismo na tematização da monogamia leva a uma política potencialmente fracassada das relações amorosas.
Um único exemplo dá a dimensão do tabu que envolve a monogamia hoje. Num episódio da série “House”, uma mulher jovem e bonita, casada com um homem idem, adoece subitamente. Após diversas especulações, o dr. House chega a um diagnóstico: ela contraiu um vírus africano (sic), cuja transmissão é genital. Ou seja, ou ela ou seu marido fizeram sexo com outra pessoa. A mulher está em estado grave e não admite o que fez. Só à beira da morte, aos 45 do segundo tempo, ela confessa. O marido, por sua vez, abandona-a, alegando que “não se pode amar alguém assim”. Eis aí um brado retumbante: monogamia ou morte! Entre nós não é diferente. A capa da revista “Veja” desta semana traz uma associação entre corrupção (uma questão pública) e adultério (uma questão privada), implicitamente conferindo um valor moral positivo à monogamia.
Não se trata de recusar ou defender a monogamia, a priori e universalmente, mas de compreender os problemas que ela envolve, de modo que as pessoas possam ter maior autonomia para criar formas de vida em maior concordância com as suas próprias e inalienáveis fantasias. Há aqui um princípio: é preciso, inicialmente, des-moralizar as questões, para depois fundar, sobre essa compreensão, uma moral (individual). É exatamente isso o que faz a “Trip”. Recomendo fortemente sua leitura.
Outro tema igualmente submetido em geral a um tratamento hipócrita ou moralista é o da prostituição. Gabeira teve que ter coragem (virtude que não lhe falta) para defender a legalização da profissão quando estava em campanha (proposta que conta com meu apoio). Se é certo que a literatura já tratou do tema com profundidade e complexidade, o mesmo não costuma acontecer em programas televisivos. Pois é o que acontece na série “Oscar Freire 279” (Multishow). Sua protagonista é uma jovem, de classe média, linda, que se torna garota de programa por razões afirmativas (o prazer, a riqueza, a aventura existencial mais interessante que o roteiro previsível do casamento-emprego-família etc.). A série não idealiza a prostituição e ilumina também suas dimensões de sofrimento físico e moral. O decisivo é que ela não adere à perspectiva moralista (adotada pelo pai da “moça de família” que passa a se prostituir): dispõe, sobre a mesa, as diversas variáveis da questão, as alegrias e as angústias — e deixa que o espectador julgue por si próprio (eis o princípio de des-moralização inicial que mencionei acima).
O preconceito é sempre o efeito de uma distância; a proximidade humaniza e desmonta os estereótipos em que ele se funda. Talvez não haja uma figura social tão submetida a preconceitos quanto as travestis (já que o português me obriga a escolher um artigo de gênero). A recusa ao lugar social das travestis é tão forte que quase nunca se as vê em lugares públicos, à luz do dia. É absolutamente inaceitável que uma decisão sobre o próprio corpo (passar do masculino ao ambivalente masculino/feminino) implique uma condenação a um estatuto de pária social, de existência reconhecida apenas como objeto sexual a ser comprado (e renegado, como demonstrou um conhecido episódio envolvendo um jogador de futebol). Daí a importância de representações que mostrem travestis desempenhando funções sociais normais, como a travesti- professora do delicado filme “Céu sobre os ombros”, de Sérgio Borges (que vi na edição presente da Semana dos Realizadores). Como prova do preconceito brutal, é mais obscena a imagem em que a travesti cita, fluentemente, a teórica americana Judith Butler, do que a cena em que ela faz sexo oral com um cliente, no carro.
Um mundo em que homossexuais tomam porrada e travestis têm que viver sorrateiramente é um mundo que deve ser transformado. E já está sendo, cada vez mais, felizmente.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Caso do suposto abuso sexual no exército em SM

Renan Antunes de Oliveira
Jornal Já
Um inquérito policial militar (IPM) concluiu que foi sexo consensual. O caso corre em segredo na 3ª Auditoria Militar. A ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário mandou o ouvidor nacional de DH Domingos Silveira investigar o IPM. Ela quer “verificar a situação desta violência que está sendo tratada com tamanho desrespeito”. Durante entrevista no sábado, 17, o soldado afirmou que enfrentará a acusação no tribunal. Ele disse que o Exército convenceu seus quatro agressores a mentirem no IPM, oferecendo para eles penas menores em troca de acusá-lo de homossexualismo – o objetivo seria isentar a instituição da responsabilidade sobre o suposto estupro.
Pelo relato, seu pesadelo começou quando se apagaram as luzes do alojamento do 3º Pelotão, às 10 da noite: “Eu fui atacado de surpresa pelos quatro e não tive como reagir”. Um quinto soldado ficou vigiando a porta e, nos beliches, outros 14 assistiram tudo e nada fizeram.O soldado revive o drama numa sala também lotada, por advogados, amigos e familiares, inclusive uma prima adolescente. Olha para o chão e continua: “Eles me jogaram de bruços na cama e taparam minha boca pra não gritar”.
Exames de DNA comprovaram que três dos quatro acusados o penetraram.Dia 15, o Ministério Público Militar (MPM) acatou a versão do IPM, denunciando DPK e os demais envolvidos pelo crime de “pederastia e outros atos libidinosos”, artigo 235 do Código Penal Militar, passível de um ano de cadeia e expulsão (no CPM só existe estupro se for entre pessoas de sexos diferentes). A turma dos beliches escapou.O Exército jogou pesado contra DPK durante o IPM. Oficiais, sob a condição de anonimato, foram revelando aos poucos para jornalistas partes escolhidas do inquérito sigiloso, difamando o jovem como homossexual, aidético, suicida e mentiroso.
Na versão militar, DPK teria inventado a violação para obter indenização financeira. Toda argumentação do IPM tem base nos testemunhos dos recrutas acusados. Ficou a palavra de um contra quatro. DPK passou de vítima a réu.Dona Ester, 40 anos, mãe do soldado, comanda a defesa dele e partiu para o ataque. Quer responsabilizar o Exército e pedir indenização. Ela contesta a tese central do IPM: “Meu filho não é gay, nunca tentou o suicídio, nem é aidético” – neste caso, exames deram negativos. Ela afirma que o resultado do IPM teria sido manipulado porque foi antecipado em 70 dias pelo general comandante da guarnição de Santa Maria: “Os militares fizeram uma campanha de mentiras para condenar meu filho” (os citados nesta reportagem foram procurados, mas o único a falar foi o comandante). A mãe do soldado disse que DPK se queixava de assédio no pelotão desde fevereiro, quando foi ao quartel pela primeira vez usando calça justa e colorida, à moda da banda Restart, a favorita dele.
Alojamento do 3º pelotão
Segundo o IPM, 20 soldados estavam no alojamento na hora do incidente, contando com DPK. Um ficou de sentinela. Os quatro acusados pelo ataque encostaram três beliches, improvisando a cama onde deitariam DPK. A sessão de sexo durou 30 minutos. Os outros 14 recrutas, interrogados pelo capitão Newmar Schmidt, disseram não ter visto nem ataque nem orgia. “Muitos viram e nenhum me ajudou”, insiste DPK. “Durante três meses os carinhas do pelotão fizeram piadas, passavam a mão na minha bunda, mas nunca pensei que chegariam a tanto”, relembra. Ele acha que o assédio começou mesmo por causa do figurino Restart. “O pessoal aqui diz que minha roupa é coisa de gay”.Peritos encontraram esperma dos soldados JS, JPR e VRS nas ceroulas de DPK (os nomes completos não podem ser citados por causa do segredo de Justiça).
O último a ser ouvido no inquérito foi DPK. Ele manteve que foi violentado. No interrogatório, Schmidt perguntou se para subjugá-lo os supostos agressores usaram “correntes, cordas, fios de luz ou de nylon”? Resposta: não. Para intimidá-lo, se usaram “baioneta, faca, pistola, revólver, fuzil, escopeta, metralhadora”? Resposta: não.
O capitão relata nos autos um exame feito pelo enfermeiro do hospital da guarnição, que levantou as cobertas e deu uma olhada no traseiro do soldado. A conclusão deste perito: “Seu corpo não exibe marcas compatíveis com a resistência que teria oferecido”. Exames independentes feitos pela família não foram aceitos pelo IPM.Juntando os nãos, a ausência de marcas no corpo e a confissão dos acusados por DPK, o IPM fechou redondo na tese da orgia gay.
Foi brincadeira de rapazes, diz general
“Houve crime, mas não foi estupro”, disse em entrevista na segunda-feira o general Sérgio Etchegoyen, comandante da 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria. “O IPM foi conduzido de forma isenta pelo oficial encarregado”.Uma versão completa do incidente já tinha sido dada pelo general em sigilo aos deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha, em sete de julho. Lá, ele disse que tudo fora “uma espécie de luta corporal de brincadeira entre os rapazes”. Etchegoyen disse ainda que apenas “constatou-se lesão leve no ânus do soldado DPK, o que por si só não comprova o alegado estupro” – falava 50 dias depois do ocorrido, antecipando em 70 o resultado do IPM.O depoimento foi distribuído aos jornais por um deputado petista. A revelação enfureceu o general. Na segunda, por telefone, ele lamentou que “um tema tão sórdido tenha sido levado a público pelo deputado. Ele diz o que quer porque tem imunidade, mas eu tenho um compromisso com a privacidade com meus subordinados”.Na batalha pela mídia, tudo já indicava que DPK seria transformado em réu no IPM.
A boataria na cidade cresceu tanto que em 29 de agosto, duas semanas antes da conclusão do inquérito, o MPM divulgou uma nota preventiva, isentando o Exército das acusações de tentar “abafar o caso ou descaracterizá-lo”. O promotor Jorge César de Assis, o mesmo que depois aceitou a denúncia, afirmou que “… as Forças Armadas estão entre as instituições que detém a maior credibilidade perante a opinião pública” e que “não há nenhum indício de que estejam fazendo isto” (abafando ou descaracterizando).
A escaramuça do hospitalDPK no hospital militar
Depois do ataque, DPK não quis mais sair da cama. No dia seguinte, quarta 18 de maio, um sargento estranha sua apatia e logo descobre tudo, alertando superiores. O soldado é internado no hospital da guarnição, onde seria periciado pelo tal enfermeiro. Um aspirante a oficial anota que ele parecia deprimido e suicida, receitando antidepressivos.Um recruta do mesmo pelotão é destacado para vigiá-lo no leito, mas piora as coisas porque o ameaça: “Se falar, você vai se ferrar”.Dia 19 de maio. DPK liga pra mãe, mas não conta nada: “Eu tive vergonha”. No quinto dia, 22 de maio, a mãe ouve boatos de um estupro no quartel. Num palpite, ela manda o marido apurar – a fama do quartel é ruim desde 2006, quando dois soldados foram expulsos por violentar um terceiro na padaria da guarnição.Seu Luiz encontra o filho escondido sob cobertores, com as mãos no rosto. Chorando, DPK conta tudo pro pai. Dona Ester se materializa no hospital. Em modo de combate ao lado do filho, interroga todos que vê pela frente.
O subtenente Jorge Bernardes faz o papel de assistente social. Ele explica candidamente aos pais que “o menino participou da ‘cerimônia do sabonete’ durante o banho. Caiu, quem se abaixa para juntar já era”. E que não tinha dúvidas: “O filho de vocês é gay”. Dona Ester diz uns palavrões para Bernardes, acampa no quarto do filho e expulsa de lá o sentinela. Os militares tentam tirá-la do quartel, mas ela se recusa a sair.
O general Etchegoyen oferece transferir DPK para o QG, promete que lá seria tratado como filho por oficiais mais velhos. Dona Ester também não aceita. O general disse que cedeu às exigências dela porque “era compreensível o sentimento de mãe”. No último dia dele no hospital, 25 de maio, um capitão aparece com ordens para transferi-lo em carro oficial e fardado para outra unidade militar. Dona Ester bate pé: “Daqui ele só sai comigo e vai para casa”. Ela ganhou de novo. Licenciado, sempre recebendo o soldo de R$ 473 mensais, o filho está desde então na casa dos pais.
De volta pra casa
E como vai indo o soldado DPK? ”Tô maus, mas vou levando, vou superar”. Na entrevista ele vestia calça justa, tênis Nike e jaqueta escura – nada colorido. Seu cabelo é o moicano estilizado da hora. Magro, 1m80, pele bem morena, apesar do sobrenome e sangue de imigrantes alemães. O soldado fala baixo, com voz grave. Tem um tique nervoso que o faz jogar os lábios muito pra frente ao falar, fazendo biquinho.Seus melhores amigos são as irmãs de 9 e 7 anos. A mãe conta que ele ainda brinca com elas de esconde-esconde. E Samuel, com quem vai ao culto da Igreja Quadrangular nas quartas.Na sala lotada, DPK se vê forçado a responder se é gay ou não – mesmo que quisesse sair do armário seria difícil, ainda mais com a curiosa prima adolescente refestelada numa poltrona. Ele demora segundos. Todos na sala com respiração suspensa. Mas a voz grave e firme vem do biquinho: “Sou hétero”. Ao lado dele, o pai relaxa os ombros, parecendo respirar aliviado.“Meu filho não é gay” atesta dona Ester, percebendo que a tese do homossexualismo é central na disputa jurídica. Ela ainda desafia: “E se fosse? Poderia ter sido estuprado?”.
Os advogados dele querem provar que o soldado é retardado mental e que o Exército falhou em perceber isto nos exames de ingresso. Se for declarado incapaz, voltará a ser considerado vítima de violação. A mãe concorda. Ele ouve ser chamado de retardado e nem pisca. O pai ajuda: “Meu filho nunca conseguiu ser aprovado na escola depois da 5ª série do primeiro grau”. Pais e advogados desencavaram pareceres de professores, laudos de exames neurológicos e testes psicológicos extras do menino lá na escola primária. Um psiquiatra de Santa Maria atestou retardamento e déficit de atenção por hiperatividade.
O pai quer que o drama termine logo para mudar-se da cidade e fugir do escândalo. DPK revela o sonho que tinha de permanecer no Exército depois do serviço obrigatório, mas sabe que agora não será mais possível. A mãe fecha o papo: “Esta farda você não veste mais”.
sábado, 17 de setembro de 2011
Poupar para ter
Em crise ou não, poupar, segundo especialistas, é a melhor saída para garantir uma qualidade de vida agora e no futuro.
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
As notícias nos envergonha
O caso do militar de Santa Maria, 19 anos, que supostamente foi violentado sexualmente em maio deste ano ainda não teve resolução convincente. A princípio, como aponta reportagem do jornal Diário de Santa Maria, de acordo com a manifestação do Ministério Público Militar (em anexo), o jovem teria consentido o sexo.
Vamos dizer, como hipótese, que essa seria a versão real dos fatos, o que eu não acredito. Sabem o porquê??? Digamos que o jovem fez a denúncia para não necessitar assumir a sua homossexualidade (segundo o julgamento dos supostos agressores que o consideram gay), o que seria difícil, pois se pensasse um pouco sobre o assunto veria que o caso iria ter repercussão.
Então, agora, como de costume, ficaremos no diz que diz. Acredito que a Justiça Militar irá expulsar todos os envolvidos no caso das forças militares, pois é melhor abafar bem o assunto e não determinar culpados ou inocentes num caso em que está em jogo muito poder, e que os respingos de sangue e gritos de dor possam começar a ecoar entre cidadãos que pregam a moral e os bons costumes familiares.
Gostaria de acordar amanhã e ver na capa dos jornais de Santa Maria a manchete afirmando, pelo menos, que caso de militar foi desvendado... quer dizer, eu continuo com fé no ser humano. E a vida segue!
Ministério Público Militar afirma que sexo em quartel de Santa Maria foi consentido
Próximo passo é Justiça Militar aceitar denúncia
Até o dia 28 deste mês, a 3ª Auditoria da Circunscrição Judiciária Militar em Santa Maria deve se manifestar sobre a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), que incrimina seis homens pela prática de ato libidinoso dentro de uma unidade militar da cidade. O promotor Jorge Cesar de Assis remeteu, nesta terça-feira, o documento à Justiça. São sete páginas que contém detalhes do ato protagonizado por cinco militares no Parque Regional de Manutenção.
Conforme a Procuradoria de Justiça Militar, a relação foi na noite de 17 de maio, não há vítimas — à época, um recruta de 19 anos disse ter sido estuprado — e não teria ocorrido abuso (o ato sexual teria sido consentido). Ainda há um sexto acusado, que é o sentinela que estava de plantão naquela ocasião, e nada fez para que o ato não ocorresse. O jornal Diário de Santa Maria não teve acesso à denúncia pois, conforme Assis, crimes dessa natureza correm em segredo na Justiça Militar.
A partir de agora, quando o juiz-auditor Celso Celidonio se manifestar, a Justiça Militar recebe a denúncia ou a rejeita.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Lady Di
Se como dizem "esquecer é permitir e lembrar é combater"; hoje, precisamos fazer referência a nobre dos povos no final do século passado. Sim, Lady Di, a princesa Diana não tinha apenas o seu reinado (perdera com a separação), porém, conquistou súditos em todo o mundo. E para ela, estes jamais deveriam ser subordinados como pensa a coroa inglesa.
Sua vida foi uma revolução democrática, sua morte a constatação de um novo tempo. Em que lidar com a fama, com a exposição é obrigação, seja dos nobres, seja de quem dia-a-dia a busca por meio das redes sociais, de blogs (sem modéstia me incluo), etc.
A DIANA não passou apenas uma imagem trabalhada por um RP (Relações Públicas), muito comum nos altos escalões de poder. Uma princesa, uma menina, um DIamante raro e inocente. Objeto de caça do príncipe que era um sapo (não conseguiu mutar-se). Casamento aclamado. Vida conjugal confusa e cheia de escândalos. Anos depois de sua morte, seu filho mais velho casado, não podemos deixar de lembrar desse aniversário, mesmo póstuma.
Veja matéria que resume sua tragetória.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Registro
Fica aqui o registro da participação da Maria Berenice Dias no Programa do Jô na última segunda-feira (13/06).
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Eu não quero voltar sozinho
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Vários depoimentos
Uma boa dica para começar o mês de junho e refletir durante a maior Parada Gay do Brasil é atentarmos para as questões que perpassam o direito e a vida em sociedade. Pensarmos um pouco mais no ato de assumir-se, nesta ainda difícil fase de um gay.
"não gosto dos meninos" from Mirada on Vimeo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Pensando na política
Não falo assim por causa do caso Palocci, ou dos esquemas de corrupção. O fato é que o Código Florestal se tornou uma vergonha nacional. Um atestado de mediocridade da população que esperava - e votou para isso - uma alternativa eficiente, não apenas eficaz. No momento de conflito é mais aprazível você ficar em cima do muro, não concordar somente com o João ou com a Maria. Uma vergonha! Nessas horas eu até gostaria que a Marina Silva estivesse a frente do Planalto (mesmo sendo muito receoso quanto a isso).
Agora tem outros dois fatos lastimáveis. O recolhimento do Kit Gay, com a alegação que isso iria induzir as "crianças". Me desculpe. Colocam um livro didático nas mãos das "crianças" com o português coloquial (sou contra o preconceito linguística, mas penso que nem em nível de universidade este assunto consegue ser tratado com uma argumentação sólida e por vezes pode ser mal interpretado) e acham ruim colocar um material que mostra abertamente a vida de um homossexual? Convenhamos - adoro esta palavra -; não quero endeusar a vida gay, mas os heterossexuais sempre fizeram isso com sua moral estruturada numa camada de gelo fina sobre as águas da realidade (que bem sabemos como é).
E pra piorar toda a decepção. Agora a bancada evangélica (nada contra a manifestação religiosa, mas cada coisa no seu lugar) entra em acordo com os parlamentares no projeto da PL122, ou vice-versa. Isto perpassa a vergonha de toda a sujeira política, de todo o descuidado com a população.
A esperança é a luta, ou seria o contrário. Daqui a pouco a maior Parada Gay do Brasil, da América Latina e quem sabe do mundo em São Paulo. Eu cá, apenas lutando nas palavras, no dia-a-dia, espero que muitos assim o façam, para não cairmos na desilusão total, no breu da solidão e do fracasso, que chegando tão perto, temos que recuar em prol do bem estar político partidário.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Num dia de discussão
Deixo para transcorrer sobre o fato daqui a pouco. Neste momento, quero apenas reforçar o primeiro argumento da defesa pela ação de inconstitucionalidade. O poema de Oscar Wilde.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Portugueses contra a discriminação
Acessa aqui.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Os DZI... muito mais que Croquettes
Os exemplos são muitos, claro, que com o tempo os mecanismos de censura descobriam a real intenção da música, do texto, do espetáculo. Acontece que era tarde demais, já tinha caído no gosto. Os Dzi Croquettes foram assim.
No final de semana, assisti no canal Brasil o documentário sobre a vida dos Dzi (logo abaixo o trailer). Fiquei ainda mais encantado. Fiquei sabendo da existência desse grupo (poderia dizer.... esse modo de vida) ainda no ensino médio ao ler uma matéria sobre contracultura ou relacionado a ditadura, não me lembro muito bem). Sei que aquelas três letras ficaram guardadas na minha memória D Z I. Nem sabia ao certo como pronunciar, e ainda como gay em processo de maturação, não comparilhei aquela informação.
Na faculdade uma amiga me falou, mas no curso nunca tinha visto falar. No término, na fase de fichamentos literários sobre a temática da minha monografia encontrei falas, discursos teóricos que se utilizavam dos Dzi para falar das identidades gays. Achei o máximo. Quis saber tudo deles, mas ficou assim, digamos, no improviso.
O documentário é muito rico nas informações. Mas mais rico ainda é um especial que o canal Brasil fez com os idealizadores do filme. Acho que essas duas fontes de informação juntas são crucias para entendermos o que foram e o que representam os Dzi Croquettes. O que me deixa triste é o fato de assim como eu, apenas quem está no circuito Rio - São Paulo, ou do fácil acesso cultural; conhece uma importante parte da história artística e comportamental do nosso país. Gostaria demais que estes dois materiais fossem apresentados e discutidos nas escolas brasileiras. É uma história muito rica e que levanta vários assuntos polêmicos para debate. Nesse momento me lembro das saudosas aulas de filosofia com a Zélia, lá do Cairu. Uma pena não existir muitas dessas Zélias na formação educacional no Brasil.
Não encontrei a reportagem sobre os bastidores do filme do Canal Brasil. Então, a entrevista no programa do Jô.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Do 'Insentato coração' às minhas colocações
Cinco anos atrás você de calças coloridas.... ahhhh... no mínimo louco, ou é claro: bicha. Agora existe um fato, que pelo menos acredito imutável. Qual for a geração, qual for a situação. Me desculpem meus ídolos (os que tanto discorrem sobre a multiplicidade do ser contemporâneo) não consigo concordar com vocês em todos os aspectos. Um é você ter a audácia, a coragem, e porque não a sensatez do modo de ser da Bibi. Firme em suas decisões. Não quero afirmar aqui que ela tem ou não problemas psicológicos que resultariam em tais atitudes. Entretanto quero deixar claro que há uma enorme diferença entre ela e a Gisela, por exemplo. Ahhh... temos muitas e muitas Giselas e Giselos por aí. O curioso é que até pouco tempo estas atitudes eram predominantemente masculinas e até aceitáveis (nem por isso condizente). Cortez seria um exemplo disso. Acontece que este é no seu todo um cara sem preceitos éticos, pelo pouco que vi até o momento. Ela (Bibi), aparentemente hostil não pode ser analisada somente como tal.
Envolver o outro, deixar este vazio, que de certa forma é dar esperanças, é sim dar água a planta, isso não é multiplicidade e me desculpe, perpassa a infidelidade. Para mim não consigo constatar outra coisa que a total falta de um bom caráter. Dizer que é ruim, não sei, mas nada altruísta, nada fraterno, nada humano. É a lógica do mercado, o objeto pelo objeto, o prazer a qualquer custo.
Acho digno ver a Regina Navarro Lins falando sobre amor no twitter e ver a situação do sexo no Brasil demostrada de uma forma até mesmo simples, crucial no entanto. Retrata aquilo que é necessário, aquilo que as pessoas dizem, como elas se identificam, sem preceitos teóricos ou colocações de cientistas. O modo como elas buscam e encontram prazer, sem julgamentos. Porém não concordo com a história da infedilidade como algo a ser visto como natural. A multiplicidade sexual, para mim, só é válida aquela acordada entre as partes. Enganar o outro, mentir, além de prejudicar alguém que você diz que gosta ou ama é substimar a inteligência do outro, que geralmente já desconfia ou sabe.
Eu gostaria de ver mais Bibis e Bibos por aí. Claro, se você não quer compromisso sério, se você curtir a vida, eu desejo tudo de bom. Assuma então esse papel, não queira apenas por melhor consentimento social ter um relacionamento sério, ou melhor parecer sério. O problema da nossa moral é o fato dela aparecer “o politicamente correto” e realmente não ser nada disso.
*Bibi, Cortez, Gisela e Marina (personagens da novela da Globo Insensato Coração)
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Não só discutir, chegou a hora de ir para a luta!!!
O melhor é que os árbitros da partida nem colocacaram este fato na ata - por não ter o termo correto. Isso é fato, chamar alguém de bicha, ainda mais se este for homoafetivo para alguns é normal. Claro é fácil dizer que Michael está exagerando, difícil é enfrentar essa sociedade em que você pode desrespeitar o outro a todo momento, desde que ele seja diferente de você. Assim seguimos conforme essa musiquinha chata que degrada a huminidade, dançar conforme a música pode ser uma escolha, mas convenhamos, deixa a desejar e muito quando se trata do que somos.
Desejo que este esportista seja apenas o primeiro a fazer isso, está mais que na hora de mostrar que não é somente no ballet, na ginástica olímpica os homens mais 'simpáticos'. A sociedade precisa perceber que seu médico, seu ídolo do futebol pode ser gay, não que deva, mas sabemos por 'fuxicos' que há.
Mais sobre o fato do jogado Michael: http://migre.me/4c1sg e http://migre.me/4c1ut
terça-feira, 29 de março de 2011
Fatos nada pós-modernos
Sabem por quê??? Já vi casamentos de todos os tipos. Mulheres barrigudas, prestes a ganhar o bebê, vestidas de branco, com véu e ainda com muitas saias de armação. Espero não deixar que isso soe preconceituoso, mas convenhamos, não é mais que uma gafe. Simplesmente não combina. Mesmo assim, a Igreja e todo o seu aparato ideológico perpassou coisas mais fantasiosas. Casamentos extremamente glamourosos, com cerimoniais extensos e noivas com vestidos vermelhos - já fui num.
Ninguém consegue me convencer que foi algo errado. Quem sabe a Igreja esteja com medo de que muitas outras façam parecido. E teria algum problema? Afinal qual é o propósito do casamento? Unir duas pessoas no amor de Deus? Pois se este motivo nobre fosse levado à risca da faca, meu bisavó diria que podemos nos unir a Deus até em frente a um toco de madeira - FICAADICA.
Entre tantas outras barbaridades de uma sociedade que deveria ser pós-moderna (não vejo nem a modernidade, quiçá a pós), tenho que acreditar que as pessoas além de eleger políticos corruptos, elegem e pior, compartilham ideologias com o péssimo deputado federal Jair Bolsonaro (PP- RJ). Ontem num quadro do programa CQC da Band ele envergonhou o nosso Congresso. Muitos esquecem de ver por esta ótica, afinal o Congresso Nacional tem como objetivo a representação do povo brasileiro, das múltiplas opiniões, no entanto, nossa Constituição deixa extremamente claro alguns princípios irrevogáveis, dos quais Bolsonaro simplesmente esquece. Alguns o consideram apenas um palhação que defende ideias patriarcais, eu me recolho e o observo com parcimônia.
Dica de uma matéria para entender melhor o proconceito aos gays em nossa sociedade. Matéria da época: Amor - e ódio - ao gays.
segunda-feira, 28 de março de 2011
O Prazer e Culpa
CONTARDO CALLIGARIS (Folha Ilustrada - dia 24/03/2011)
ADMIREI A reação dos japoneses diante do desastre -terremoto, tsunami, contaminação nuclear. Nas declarações oficiais e nas palavras das vítimas, a catástrofe é apenas um acidente: pode haver responsáveis por falhas na prevenção, na segurança ou nos socorros, mas a catástrofe em si não tem sentido algum. Será que nós, ocidentais, seríamos capazes da mesma atitude? Não sei.
A peste assolou repetidamente a Europa do século 14 ao 18. A primeira grande epidemia, de 1347 a 1352, matou um quarto da população europeia. Para que o horror não induzisse ninguém a pensar que o universo era sem sentido, duas reações populares: 1) perseguir judeus e bruxas, supostamente responsáveis pelo contágio; 2) juntar-se aos flagelantes, penitentes que erravam pelo continente se fustigando até o sangue. Para o flagelante, a peste era um castigo pelos pecados do mundo; portanto, punir-se por eles talvez fosse o jeito de tornar a peste desnecessária.
Naqueles quatro séculos, a Europa se cobriu de igrejas que eram construídas como oferendas para que a epidemia se acalmasse; nelas, homens e mulheres faziam promessas, pedindo para serem poupados.
Ainda hoje, na calamidade e no medo, a promessa que acompanha o pedido feito a Deus ou aos santos sempre propõe uma renúncia: o pedinte se engaja a se privar de algo, do sexo ao chocolate. Funciona assim: 1) meu prazer e meu gozo são sempre culpados, 2) portanto, qualquer mal que me assole se explica como punição de minhas culpas, 3) a renúncia aos meus prazeres pode me redimir e estancar a punição.
Como chegamos a fazer esse estranho uso dos prazeres, ou melhor, da renúncia aos nossos prazeres? Três respostas, não excludentes (e insuficientes).
1) Bem ou mal, educar implica conter, impor frustrações e renúncias. Com isso, a aprovação dos educadores sempre parece proporcional à aceitação das renúncias pelos educandos. Ou seja, os jovens podem ser levados a pensar que é só frustrando seus próprios desejos que eles ganham o amor dos adultos.
2) No fim do primeiro milênio, cada vila européia vivia no medo de bandos errantes. Quando eles se aproximavam, o povo se reunia na igrejinha e rezava. Isso não impedia nem saques nem estupros. O que pensar quando os bandidos iam embora? Deus não nos protege porque não existe? Deus existe, mas não dá a menor para a gente? Devia triunfar a versão que conciliava o desastre com a existência de Deus: o próprio Deus mandou os bandidos para nos punir de nossos pecados.
3) Talvez seja menos angustiante viver num mundo que faz sentido do que num mundo que não teria sentido algum. Por exemplo, como é que você aguentaria o pensamento da morte futura sem o conforto da ideia de que ela está incluída numa ordem cósmica ou num plano divino?
Infelizmente, esse conforto tem um custo alto, pois o jeito mais fácil de garantir a existência de um sentido do mundo consiste em me atribuir a culpa por todos os males. Ou seja, minha culpa e meu esforço para me redimir "provam" que existe uma ordem (justamente, a que eu ofendia quando me entregava a meus prazeres).
Corolário: se meus prazeres culpados são a causa dos males, não preciso responder "adequadamente" às calamidades, bastará modificar minha conduta de modo que minhas ofensas sejam perdoadas.
Além de dar sentido ao meu mundo, a culpa me oferece a ilusão de agir de maneira eficaz: como o flagelante, posso esperar que minha renúncia ao prazer suspenda a punição. De repente, doenças e catástrofes talvez parem diante de minha conduta meritória. Em vez (ou além) de procurar as condições de prevenir um terremoto ou de debelar um câncer resistente, rezarei noite e dia e me fustigarei em penitência. Se, de qualquer forma, o terremoto vier ou o câncer triunfar, será porque não me açoitei o suficiente.
Pois bem, não acredito que, em nossa cultura, esse bizarro uso dos prazeres e da culpa tenha mudado substancialmente nos últimos sete séculos. Continuamos fundamentalmente inimigos do nosso prazer.
Prova disso: há, hoje como no século 14, bandos errantes que denunciam nossos tempos "hedonistas" e nossa voracidade por prazeres e gozos. São os flagelantes verbais: criticam o prazer para fomentar a culpa. É o jeito (custoso) que eles acharam para dar sentido ao mundo.
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Sinceramente, eu não sou fã do povo japonês. Gosto de traços da cultura e sobretudo a sua culinária. Mesmo assim, nunca me agradou aquele jeitinho pacífico de viver. Me parece um tanto sem vida (ou sou exageramente entusiasmado com tudo e gosto de mostrar isso) os seus modos. Entretanto, necessito dizer que nesse aspecto (levantado por Calligaris) eles são os mestres. Buscamos demais achar um culpado - eles estão pouco preocupados com os culpados, até demais - e deixamos esta culpa influenciar nosso jeito de ser. Isso diz respeito há várias situações da nossa vida. Texto bom para refletir.
Uma boa semana!
quinta-feira, 3 de março de 2011
Conquistando (no gerúndio mesmo)
Universidade federal expulsa aluno de medicina que escreveu e-mail ofendendo gays no RS
Acredito que estamos num momento propício, o circo está armado literalmente, temos representatividade no poder e hoje sabemos de uma forma material o quão somos fortes enquanto público consumidor. Fato que por vezes não levamos em conta, mas quem sabe é o nosso poder maior. Desejo que atritos assim surgam, não pensando somente do lado negativo, porém que estes fatos muitos vezes velados venham à tona, para que possamos conhecer, discutir e quem sabe reverter um pouco este quadro comportamental que tanto me assusta.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Muito a combater
Posso parecer, numa primeira vista, pessimista demais. Claro que tivemos avanços e são muitos. As celebridades saindo do armário - mesmo que somente para fins de marketing -, o BBB tendo uma ala fortalecida, enfluenciam mudanças em cascata. Mas reintero, o movimento está parado, paradíssimo. Deixamos a luta se tornar apenas compromisso de bancas de defesa, dos congressistas, etc. Temos uma produção científica relevante nesta área, pesquisas quantitativas que nos mensuram e agora o Mapeamento LGBT promovido pela Ong SOMOS de Porto Alegre. A SOMOS mais uma vez mostra sua importância dentro do movimento.
Falta pegada. Sim, um movimento se caracteriza pela sua pegada, sua forma de ser, nos tornamos um movimento que não amedronta mais, que não é sagaz. A Parada Gay de São Paulo e sua gigantesca proporção e mais as pequenas espalhadas Brasil afora somente demarca nosso espaço, e ainda são usadas como palanques políticos; elas conseguem apenas tirar o sono dos fanáticos evangélicos.
Ao perceber o que acontece no mundo, exemplo claro são as manifestações contra o governo Hosni Mubarak do Egito. Este escondido pelo poder do seu ditador. Nós, enrustidos por nós mesmos, com medo de nos comprometermos mais, de colocarmos nossas carreiras em risco. E aí surge uma sociedade híbrida. 'Você é múltiplas coisas ao mesmo tempo ou em tempos diferentes'. Me desculpem os teóricos da área, tenham certeza que conheço a abrangência do conceito, mas por vezes discordo dessa dissonância entre realidade e teorização.
Vejo que o bissexual nada mais é que a figura do descomprometido. Quem sabe reflexo de uma sociedade que se acomodou a partir da redemocratização. Ser bi não é apenas uma escolha individual, é dizer um tudo bem para a situação atual. É pensar muito em si e nada no coletivo. Por isso mesmo escuto dia-a-dia professores afirmando que a bissexualidade virou moda. E acho que se tornou mesmo, pois aquele conceito de sermos seres com tendências bissexuais como probabilidade e, não tem nada haver com esse 'bi' que falo. Esse andróide humano, que movido apenas pelos prazeres que a vida pode proporcionar motiva a situação a ficar do jeito que está.
É um texto de revolta, espero que os poucos que leiam consigam acompanhar o meu raciocínio. Mas esta revolta não é somente com o outro, ela faz jus a minha auto-crítica, de quanto cotidianamente nos acomodamos com o pouco que conquistamos.
Espero que o POVO não saia das ruas tão cedo no Egito. Desejo como toda a força do meu ser, que saiamos dessa inércia em prol de conquistas, em prol do fim dessa ditadura heterossexual, que acaba consagrando o bi (já que é mais próximo do hétero) em detrimento do assumido gay. Não queremos somente nos casar e ter filhos. Queremos tudo que nos é de direito, seja respeito, dignidade e muita liberdade.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Objeto: corpo masculino
Confira as fotos e uma pequena matéria sobre.