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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Muito a combater

Nós paramos muito cedo de lutar. O movimento gay que teve seu auge há mais de 40 anos se mostra enfraquecido demais, já que a sociedade não evoluiu tanto assim, como alguns teimam em acreditar.

Posso parecer, numa primeira vista, pessimista demais. Claro que tivemos avanços e são muitos. As celebridades saindo do armário - mesmo que somente para fins de marketing -, o BBB tendo uma ala fortalecida, enfluenciam mudanças em cascata. Mas reintero, o movimento está parado, paradíssimo. Deixamos a luta se tornar apenas compromisso de bancas de defesa, dos congressistas, etc. Temos uma produção científica relevante nesta área, pesquisas quantitativas que nos mensuram e agora o Mapeamento LGBT promovido pela Ong SOMOS de Porto Alegre. A SOMOS mais uma vez mostra sua importância dentro do movimento.

Falta pegada. Sim, um movimento se caracteriza pela sua pegada, sua forma de ser, nos tornamos um movimento que não amedronta mais, que não é sagaz. A Parada Gay de São Paulo e sua gigantesca proporção e mais as pequenas espalhadas Brasil afora somente demarca nosso espaço, e ainda são usadas como palanques políticos; elas conseguem apenas tirar o sono dos fanáticos evangélicos.

Ao perceber o que acontece no mundo, exemplo claro são as manifestações contra o governo Hosni Mubarak do Egito. Este escondido pelo poder do seu ditador. Nós, enrustidos por nós mesmos, com medo de nos comprometermos mais, de colocarmos nossas carreiras em risco. E aí surge uma sociedade híbrida. 'Você é múltiplas coisas ao mesmo tempo ou em tempos diferentes'. Me desculpem os teóricos da área, tenham certeza que conheço a abrangência do conceito, mas por vezes discordo dessa dissonância entre realidade e teorização.

Vejo que o bissexual nada mais é que a figura do descomprometido. Quem sabe reflexo de uma sociedade que se acomodou a partir da redemocratização. Ser bi não é apenas uma escolha individual, é dizer um tudo bem para a situação atual. É pensar muito em si e nada no coletivo. Por isso mesmo escuto dia-a-dia professores afirmando que a bissexualidade virou moda. E acho que se tornou mesmo, pois aquele conceito de sermos seres com tendências bissexuais como probabilidade e, não tem nada haver com esse 'bi' que falo. Esse andróide humano, que movido apenas pelos prazeres que a vida pode proporcionar motiva a situação a ficar do jeito que está.

É um texto de revolta, espero que os poucos que leiam consigam acompanhar o meu raciocínio. Mas esta revolta não é somente com o outro, ela faz jus a minha auto-crítica, de quanto cotidianamente nos acomodamos com o pouco que conquistamos.

Espero que o POVO não saia das ruas tão cedo no Egito. Desejo como toda a força do meu ser, que saiamos dessa inércia em prol de conquistas, em prol do fim dessa ditadura heterossexual, que acaba consagrando o bi (já que é mais próximo do hétero) em detrimento do assumido gay. Não queremos somente nos casar e ter filhos. Queremos tudo que nos é de direito, seja respeito, dignidade e muita liberdade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ATITUDE - uma resposta à homofobia

A homofobia está em nossa sociedade muito mais do que imaginamos. Agora virou moda falar. Durante a Parada Gay de São Paulo a mídia pouco noticia sobre esse fato. Ficam detitos nos números de participantes ou simplesmente em fatos isolados que acabam até denegrindo a imagem da Festa que tem por intuito permitir a inclusão das diversidades, mostrar o quanto somos naturalmente normais. "A TV no armário" livro e Irineu Ramos Ribeiro mostra um pouco disso. Ele faz a análise da cobertura da Parada Gay de São Paulo edição de 2007 e constata que a Parada ganha importância noticiosa apenas pelo volume de pessoas, o turismo e o dinheiro que gera. Fica de lado os conflitos pessoais, do grupo que acima de tudo vai à rua para pedir respeito.

Para a mídia - minha colocação - a Parada Gay de São Paulo, ou de qualquer outra cidade desse Brasil-zão não tem outro cunho senão a festa. Que seja, ou achariam melhor que saíssemos aos tapas como muitos vem fazendo ao longo do tempo para barrar nosso modo de ser??? É, infelizmente podemos acompanhar um 'nobre' deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) defendendo a palmada para reprimir atitudes mais afeminadas de crianças do sexo masculino. É minha gente, está caindo a mascára. Enquanto sobem o número de congressistas ligados a facções criminosas e as religiões new pentecostais (para mim, quase a mesma coisa) nós não conseguimos reunir forças para colocar representantes gays com força de ação. A nosso força infelizmente ainda está muito representada na teoria, nas poucas pesquisas que acabam repetindo as temáticas e os problemas e nenhum fato que nos leve a grandes mudanças.

O livro que citei anteriormente faz construções importantes sobre o processo de representação das identidades dos homossexuais; mas fica um tanto na mesmíce por não tentar aprofundar assuntos relevantes. Claro que é um grande passo termos um aumento da bibliografia sobre o assunto. Outro pesquisador e um dos maiores ativistas, Luiz Mott, sempre trabalhou com o assunto da negligência que a sociedade brasileira tem mostrado quanto a violência sofrida por gays.

Sim, pois não sofremos apenas a repressão velada no nosso dia-a-dia. Muitos são barrados de ser quem gostariam em casa, impositivamente. Outros são induzidos por processos culturais calcados na falsa e 'boa moral' que se prega em nosso modelo de sociedade heterocentrista. No entanto, a coisa não fica só nisso. Somos sim humilhados, com o conhecido termo
bulluing, que se tornou moda, mas que assombrou e assombra muita gente na infância e na adolescência. E isso perpassa, somos agredidos fisicamente. Muitos são mortos como bem apontam os relatos e as pesquisas de Luiz Mott. Segundo ele, há muita violência contra homossexuais que não ficamos sabendo, que acabam não sendo registradas como tal. Para alguns isso é bobagem, afinal somos os errados.

Acontece que pouco se pensa no contrário, pois a sã e divina heterossexualidade é tão sublime que permite que os seres cometam atrocidades em prol da salvação do mundo. Agora, dessa salvação eu não quero ser incluído, ouviu Silas Malafaia??? Mais um 'nobre', este pastor que até campanha para o Serra fez. Uma vergonha total. Queremos e necessitamos de uma lei que criminaliza a homofobia e ainda mais, queremos que todos que sofram agressões de qualquer ordem devido sua orientação sexual tragam-a a público. Está mais que na hora de mostrarmos a cara, como muito bem retrata o filme Milk. Não podemos nos esconder nos guetos, continuar achando que ser gay, ser lésbica, ser bissexual, travesti ou os demais infinitos gêneros é apenas uma questão pessoal, uma questão individual e que ninguém mais tem a ver com isso. Se assim continuarmos achando melhor, iremos continuar vendo as barbaridades noticiadas. O bom mesmo era fazer o que o Jabor relembrou ontem a noite (vídeo abaixo), quando as 'barbies' cariocas se reuniram para dar um jeito nos anti-homossexuais. Não concordo com violência, mas está mais do que na hora de nos unirmos para dizer que chega de opressão e violência.



Olhos atentos