Olá!!!
Volto a escrever depois de exatos nove anos. Muita coisa mudou desde lá. A tecnologia, temos IA, temos recursos infinitos, veio muitas e muitas mudanças na minha vida que levaria dias para descrever. Veio a Pandemia COVID-19 em 2020 - história a parte; e a partir dela me parece que o desenvolvimento tecnológico deixou de ser a galope...passou a ser a jato.
Agora o que não mudou muito foi o jeito das pessoas serem e verem o outro. E digo isso pelo fato de eu estar almoçando hoje aqui em Balneário Camboriú, point dos veranistas gaúchos e argentinos, mas que nos últimos anos ganhou status de cidade de luxo, vida cara e arranha-céus.
E foi num desses restaurantes que costumo almoçar quando estou aqui, localizado nessas pequenas ruas próximo a Barra Sul, área de pequenos prédios construídos há mais de 20 anos e que tem meu coração.
Neste restaurante de comida caseira com um toque de Chefe (slogan do estabelecimento) que me sento para almoçar próximo a uma da tarde num dia até então nublado. O cardápio estava estupendo como sempre.
Conhecem aqueles restaurantes que tem 4 pequenas mesas por fileira, em podem ser juntadas, mas que geralmente estão separadas que dá bem certo para um casal? Então sentei numa fileira em que fiquei no meio de dois casais na faixa dos 70 anos. A direito um casal todo pompozo e a esquerda um casal com roupas esportivas, mas regados de roupas carimbadas de grandes grifes. Reparei na bolsa bem esportiva mas de uma grande marca, o óculos chamativo da Prada, boné da Gucci e assim por diante.
O que me espantou foi o início dos comentários. Talvez pelo meu modo simples, minha bolsa visivelmente costurada artesanalmente que ganhei de minha cunhada há 9 anos, ou simplesmente pelo meu jeito de ser e estar. Em nenhum momento falaram mal dos gays.
Falaram sim dos argentinos, criticaram quase todas as comidas que se serviram, a senhora da esquerda só gostou da farofa, disse que uma das melhoras que já provou no mundo. E ela deve ter notado que eu os estava observando, mesmo que discretamente. Vocês sabem não é nem de longe uma característica de minha personalidade.
O auge foi quando ela disse: "como este ano o veraneio está tranquilo, agora que veio um monte de castelhanos e parece que graças a crise veio só os bem educados, nem parece que são da Argentina". Detalhe no restaurante e em todos os lugares de BC assim como na grande parte do sul do Brasil temos muitos trabalhadores imigrantes argentinos.
Fico a pensar que eles acharam que eu era um castelhano de boas condições...vou pensar assim já que não falei nenhuma palavra apenas pedi em gesto pra garçonete trocar a minha Coca-Cola por uma original - não sou da adepto da Zero.
Do lado direito, o casal mas granfinho, pois faziam questão de falarem todo o tempo da última viagem, da comida não sei o quê, do nada começaram a falar que nos EUA ninguém gosta do número 13, que a esquerda é o atraso do país e que bom que a escola de samba que homenageou o Lula na Sapucaí foi rebaixada.
Eu nem olhei muito pra eles, usei o celular algumas vezes mas a princípio não o suficiente para eles notarem que eu sou um cara com certeza não é adepto desse visão da "direita brasileira". Que independente de ideologia crítica muito embasado em teorias nada fundamentadas e, pior, que não levam em consideração nenhum conhecimento da história do nosso país.
Saindo desse viés político, e lembrando que este ano, 2026 teremos eleições para Presidente, Governador, Senador e Deputado Federal e Estadual no Brasil.
Pra finalizar, o casal da esquerda, os que estavam vestido com roupas praianas / esportivas (não tenho como dizer que parecidos comigo pois eu nem de perto tenho culhão para aderir há peças de luxo como eles) começaram a falar da gastronomia da última viagem as Maldivas.
Que lá o restaurante internacional, incluso no pacote do Resort ao que se hospedaram era algo fantástico. E com certeza era. O que não cabia e o que me fez refletir para escrever aqui tal cena é que o restaurante que estávamos é de extremo bom gosto. Hoje por exemplo tinha um bacalhau com nata e um língua de gado preparados de um modo sofisticado, mas ele é um local de preço acessível em Balneário Camboriú.
Se ambos os casais, tão abastados e granfinos, que criticaram o tempo inteiro a comida porém foram buscar a sobremesa, de fato não gostassem do lugar não iriam seguidamente. Pois ao irem pagar no caixa percebi que eram assíduos no local.
Fica a minha dúvida, ou a minha observação apenas. A Elite critica por criticar, até um costume. Ou de fato, ela se obriga a fazer de conta, ser levemente respeitosa com quem não pertence ao seu grupo ou de fato ela nunca quis que a escravidão acabasse no mundo?
Pra fechar de vez ambos os casais em diferentes momentos falaram assim, tomara que o Brasil também adote políticas trabalhistas como o Milei pra esses castelhanos saírem daqui. Pensei comigo, daqui uns dias estarão precisando de cuidadores ou até irão pro hospital e serão atendimento por enfermeiras e até médicos castelhanos. Ainda mais se continuarão morar em BC.
Fuiiii... Prometo que voltarei a escrever mais e mais.
Estava com saudades!!!

