sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

As Elites


 Olá!!!

Volto a escrever depois de exatos nove anos. Muita coisa mudou desde lá. A tecnologia, temos IA, temos recursos infinitos, veio muitas e muitas mudanças na minha vida que levaria dias para descrever. Veio a Pandemia COVID-19 em 2020 - história a parte; e a partir dela me parece que o desenvolvimento tecnológico deixou de ser a galope...passou a ser a jato.

Agora o que não mudou muito foi o jeito das pessoas serem e verem o outro. E digo isso pelo fato de eu estar almoçando hoje aqui em Balneário Camboriú, point dos veranistas gaúchos e argentinos, mas que nos últimos anos ganhou status de cidade de luxo, vida cara e arranha-céus.

E foi num desses restaurantes que costumo almoçar quando estou aqui, localizado nessas pequenas ruas próximo a Barra Sul, área de pequenos prédios construídos há mais de 20 anos e que tem meu coração.

Neste restaurante de comida caseira com um toque de Chefe (slogan do estabelecimento) que me sento para almoçar próximo a uma da tarde num dia até então nublado. O cardápio estava estupendo como sempre.

Conhecem aqueles restaurantes que tem 4 pequenas mesas por fileira, em podem ser juntadas, mas que geralmente estão separadas que dá bem certo para um casal? Então sentei numa fileira em que fiquei no meio de dois casais na faixa dos 70 anos. A direito um casal todo pompozo e a esquerda um casal com roupas esportivas, mas regados de roupas carimbadas de grandes grifes. Reparei na bolsa bem esportiva mas de uma grande marca, o óculos chamativo da Prada, boné da  Gucci e assim por diante.

O que me espantou foi o início dos comentários. Talvez pelo meu modo simples, minha bolsa visivelmente costurada artesanalmente que ganhei de minha cunhada há 9 anos, ou simplesmente pelo meu jeito de ser e estar. Em nenhum momento falaram mal dos gays.

Falaram sim dos argentinos, criticaram quase todas as comidas que se serviram, a senhora da esquerda só gostou da farofa, disse que uma das melhoras que já provou no mundo. E ela deve ter notado que eu os estava observando, mesmo que discretamente. Vocês sabem não é nem de longe uma característica de minha personalidade. 

O auge foi quando ela disse: "como este ano o veraneio está tranquilo, agora que veio um monte de castelhanos e parece que graças a crise veio só os bem educados, nem parece que são da Argentina". Detalhe no restaurante e em todos os lugares de BC assim como na grande parte do sul do Brasil temos muitos trabalhadores imigrantes argentinos. 

Fico a pensar que eles acharam que eu era um castelhano de boas condições...vou pensar assim já que não falei nenhuma palavra apenas pedi em gesto pra garçonete trocar a minha Coca-Cola por uma original - não sou da adepto da Zero.

Do lado direito, o casal mas granfinho, pois faziam questão de falarem todo o tempo da última viagem, da comida não sei o quê, do nada começaram a falar que nos EUA ninguém gosta do número 13, que a esquerda é o atraso do país e que bom que a escola de samba que homenageou o Lula na Sapucaí foi rebaixada. 

Eu nem olhei muito pra eles, usei o celular algumas vezes mas a princípio não o suficiente para eles notarem que eu sou um cara com certeza não é adepto desse visão da "direita brasileira". Que independente de ideologia crítica muito embasado em teorias nada fundamentadas e, pior, que não levam em consideração nenhum conhecimento da história do nosso país.

Saindo desse viés político, e lembrando que este ano, 2026 teremos eleições para Presidente, Governador, Senador e Deputado Federal e Estadual no Brasil.

Pra finalizar, o casal da esquerda, os que estavam vestido com roupas praianas / esportivas (não tenho como dizer que parecidos comigo pois eu nem de perto tenho culhão para aderir há peças de luxo como eles) começaram a falar da gastronomia da última viagem as Maldivas.

Que lá o restaurante internacional, incluso no pacote do Resort ao que se hospedaram era algo fantástico. E com certeza era. O que não cabia e o que me fez refletir para escrever aqui tal cena é que o restaurante que estávamos é de extremo bom gosto. Hoje por exemplo tinha um bacalhau com nata e um língua de gado preparados de um modo sofisticado, mas ele é um local de preço acessível em Balneário Camboriú.

Se ambos os casais, tão abastados e granfinos, que criticaram o tempo inteiro a comida porém foram buscar a sobremesa, de fato não gostassem do lugar não iriam seguidamente. Pois ao irem pagar no caixa percebi que eram assíduos no local.

Fica a minha dúvida, ou a minha observação apenas. A Elite critica por criticar, até um costume. Ou de fato, ela se obriga a fazer de conta, ser levemente respeitosa com quem não pertence ao seu grupo ou de fato ela nunca quis que a escravidão acabasse no mundo?

Pra fechar de vez ambos os casais em diferentes momentos falaram assim, tomara que o Brasil também adote políticas trabalhistas como o Milei pra esses castelhanos saírem daqui. Pensei comigo, daqui uns dias estarão precisando de cuidadores ou até irão pro hospital e serão atendimento por enfermeiras e até médicos castelhanos. Ainda mais se continuarão morar em BC. 


Fuiiii... Prometo que voltarei a escrever mais e mais.

Estava com saudades!!!

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Eu tenho fome de ARTE

Jurei que não iria discorrer sobre a mostra Santander Cultural 'Queermuseu', contudo, arte sempre foi e é minha maior paixão enquanto ser - talvez - pensante.

Mesmo assim, não irei contextualizar nada sobre arte queer ou expressões latino americanas, já que li sobre absurdas comparações com exposições sobre sexualidade em outros continentes, simplesmente não me interessa.

No Brasil,  sempre se arruma desculpa para ser preconceituoso, para não discutir assuntos sérios, para alguém mostrar que é melhor e mais ético que outro. Pra mim: pura BALELAAAA...

A arte é espaço para a DISCUSSÃO, para o eu criativo, para a sociedade rejeitada, para as aberrações - sejam elas da mísera aos que os humanos são expostos ou da própria miséria de ser humano. Sexo é a ligação mais forte da humanidade, seja na arte, na espiritualidade. É o que nos permite existir e claro fonte de prazer, mas também lugar de perversidade, loucura e opressão.

DEIXE A ARTE EXISTIR. E PONTO.

 💭 Aproveito para colocar a opinião de grande relevância da amiga Uda Schwartz: Sexo e arte sempre estiveram interligados: são energia de vida, energia em sublimação. Não à censura ao sexo e aos corpos na arte!

💭 links https://oglobo.globo.com/cultura/artes-visuais/em-nota-clientes-santander-reforca-posicao-sobre-fim-de-mostra-21807901

http://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/veja-imagens-da-exposicao-cancelada-pelo-santander-no-rs/

sábado, 19 de agosto de 2017

Poesia contra o preconceito 👏


Há será uma constante na natureza humana
de que não foi me concebida por parte de meu criador?
A singularidade de que me rege transcreve o algor
de minha alma dissimulada e disparatada.

Perceba vós caro leigo precoce e tolo


De que belas palavras numa poesia
transparecem apenas a estética de um bravo grito mudo
e transpõem os ruídos existenciais numa ausência eterna.

Tão fácil falar de amor num breve soneto,
quanto de se contrapor a esse em vista do diferente.
Diferente este combatido como epidemias.
Lindas e únicas criaturas pecadoras.

Pecadora é a mulher!
Criada duma costela, nascida para servir.
Ao homem? A Deus? Servir a si mesma!
Como manifesto de seu poder e autonomia.
O que você chama de feminista,
eu chamo de bruxa que não conseguiram queimar.
Pecadora que só se cala com o contentamento
ou com a morte.

Pecador? Pecador é o preto!
Moeda de troca, espécie que choca, nascido do gueto.
Se resistência fosse cor, ela seria PRETA.
Preta como a alma daquele infeliz racista.
Não há corrente dura que segure o espirito do bravo negro,
que luta para não ser chamado de negro,
mas de SER HUMANO.

Pecador? Pecador é o viadinho, o baitola, o boiola...
Aberração da natureza, falha de Deus.
Aprende a ser homem! Aprende a ser macho!
Se ser homem for sinônimo de arrogante e violento,
é preferível ser um unicórnio.
Enquanto que o ódio luta com forças e armas,
o gay luta com amor, por amor, sem sentir dor, muito menos temor.

Realmente, preciso parar de me vitimizar...
O que pode me curar?
Uma ída à igreja? Uma garrafa de vodka?
Um tiro na boca? Ou uma guerra?!
Conservadores e preconceituosos SE PREPAREM!
A pedra que mata a travesti, a corrente que escraviza o negro
e a mão que oprime a mulher, NÃO SÃO, não senhor,
tão fortes, como o meu AMOR.

Autor: Victor Martins

GAYS e ponto - chega desse papo de elite

Volto a escrever sobre o mesmo tema. Me canso, paro, olho,  respiro e percebo o quanto ainda precisamos apertar na mesma tecla: muito e muito mais ainda.


Não sei,  com essa história de Bolsonaretes espalhadas nas redes sociais me preocupa saber o que ainda poderemos enfrentar,  independente dele se eleger (acho bem difícil isso acontecer). Mas a visão simplista e sem fundamentação e,  pior de tudo,  elitisada e preconceituosa de seus seguidores amedronta qualquer defensor de igualdade e justiça. 

Hoje compartilho com vocês duas situações,  uma relembrada pela revista Época sobre o casal homoafetivo com uniformes militares estampado em sua capa em 2008  (já que ambos eram oficiais do exercíto). E outra matéria,  bem simplória até (Zero Hora),  sobre um estilista de Caxias do Sul,  aqui no RS (espero que esse perca a freguesia logo) que possui um discurso homofóbico em nível extremo, mesmo sendo gay. 

Juntei esses dois casos,  pois a questão é a mesma.  Tudo tem que ser de acordo com a elite brasileira.  Não sei se esta não está afundada em sem próprio esgoto,  mas quem adentra a ela (ou para fazer parte),  logo aparece com o discurso de que é preciso respeitar a individualidade,  a instituição,  desde que...  Desde O QUÊ???  Nessa pergunta há todo o preconceito afirmado e reafirmado por séculos. Pode ser gay,  desde que não seja no exército,  desde que não beije na boca em público.  Como diria Derci...  O car..ho!

http://epoca.globo.com/especiais/EPOCA-1000/noticia/2017/08/o-que-aconteceu-com-o-primeiro-casal-gay-se-revelar-no-exercito-brasileiro.html

http://m.zerohora.com.br/540/colunistas/daniel-scola/9873430/estilista-gaucho-carlos-bacchi-fala-sobre-o-comportamento-das-novas-geracoes-e-a-homossexualidade



A você que não me conhece,  comece a me seguir,  prometo alfinetar bastante de agora em diante.  Afinal,  faço arte por meio da comunicação.  😘

quarta-feira, 11 de março de 2015

Juro que não entendo!!!

Voltei a escrever, ou melhor, é apenas uma tentativa, um pequeno gesto de quem ama fazer isso, mas que como numa paixão platônica viu na sua livre forma de expressão um julgamento de certo ou errado. Escrever é deixar fluir, transcender a si e a suas ideias, seus mundos, medos, amores, credos. Voltar a fazer isso num momento da história em que meu país está confuso, em que tudo o que acredito e tive medo está acontecendo, em que o interesse individual sobrepõe qualquer mínima tentativa de tranquilidade coletiva - alguns professam inclusive uma guerra - alimento a utopia de um mundo melhor. Eu, apenas, rés mortal, me aniquilo naquilo que acredito ser o melhor para mim (ultra egoísmo) e que penso não fazer tão mal aos outros. Já que muitos querem mesmo é fazer o bem aos seus, as seus pares, as suas elites. 

Crise sem identidade. Manifestação da massa, ou seria crise do meu não interesse social e contra a massa??? Acho que confundi tudo, e agora aonde estás Manuel Castells para me ajudar a entender??? Ou seria apenas uma manifestação líquida (Bauman) já que ninguém quer dar a cara a tapa. Brincadeiras a parte, no entanto, não consigo entender o espanto e revolta de milhares que insanamente acreditam que os problemas do país são de ontem e hoje. Sou a favor de mecanismos de cobrança da legalidade pública e privada e não de chacotagens políticas eleitoreiras (o que estamos vendo tanto da situação como da oposição). Jogo limpo na política e ações governamentais a favor do povo e não a interesses obscuros é o que eu preciso. Condições dignas, salários e preços justos é o que buscamos há muito tempo e desculpem os espertos, até os mais bobos sabem que estamos um tanto distantes desse sonho que tanto almejo realizar. 

Deixo esta crônica do Zero Hora de hoje... para contextualizar: 

Moisés Mendes: "Os golpistas encabulados"
Na semana das passeatas, com o país dividido ao meio, sua escolha define suas afinidades. 
Moisés Mendes por Moisés Mendes 11/03/2015 | 05h01 

O Brasil não será o mesmo depois das passeatas desta semana. A primeira, do dia 13, anuncia-se como uma mobilização pela Petrobras e pelas conquistas sociais. A segunda, do dia 15, se propõe a combater a corrupção e, no que está subentendido, mas não fica claro, também pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O Brasil se divide ao meio de novo, mas algumas coisas devem ser melhor explicitadas. Nomes que refugam a tese do impeachment já mostraram a cara, sem volteios. Falo de reputações acima de partidos, como Bresser-Pereira, Ricardo Semler, Luis Fernando Verissimo, Leonardo Boff. Mas quem, do outro lado, defende o impeachment, além de Bolsonaro e de militantes das redes sociais? Quem, entre intelectuais, jornalistas, articulistas conhecidos — entre os tais formadores de opinião — diz claramente que é pela interrupção do segundo mandato de Dilma? Quem, sem subterfúgios, sem enrolação, sem atribuir pontos de vista aos outros, sem medo de correr riscos, sem a conversa fiada de que é contra tudo o que está aí, diz abertamente que defende o impeachment e a passeata do dia 15 pelo fim deste governo? É difícil. Há, entre os articuladores do impeachment, um acovardamento que envergonharia os lacerdistas, seus ancestrais golpistas dos anos 50. É constrangedora a falta de desprendimento dos que deveriam dizer que não suportarão os quatro anos do segundo mandato e que o grande sonho do revanchismo é fazer o governo sangrar até o impeachment ou a renúncia de Dilma. O golpe está apenas nas entrelinhas do discurso. Por isso, essa é uma semana para não esquecer. É agora que os indecisos, se é que existem, escolhem a sua passeata, ou ficam em casa vendo a banda passar. Surge então aquele temor de que em algum momento, ou por um dia, ou para sempre você poderá estar, diante de uma questão essencial, alinhado a uma certa gente estranha. São os riscos das livres escolhas. Posso estar errado, mas erro com convicção. Decidi seguir a turma dos já citados lá no começo, com os quais nunca teria grandes estranhamentos. Estou com Bresser-Pereira, Leonardo Boff, Luis Fernando Verissimo e Ricardo Semler. Não cheguei (e espero não chegar nunca) a uma situação extrema que me faça alinhado com o Bolsonaro.
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticia/2015/03/moises-mendes-os-golpistas-encabulados-4715419.html

sábado, 4 de maio de 2013

Incomoda??? Como assim!?


campanhaliberdade from Antro Positivo on Vimeo.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Talvez um questionamento de muitos!?


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Talvez uma volta, uma discussão das redes sociais!

Mais uma ideia elitizada

Verdadeiramente, um tanto de achismo exagerado como também uma falta de senso de realidade. Nossa sociedade continua a acreditar que engaiolar pessoas é resolver os problemas. Quer dizer, vamos atacar, vamos oprimir, e esta é a melhor resolução: SEMPRE. 

Penso que cansamos disso. Talvez seja bom refletir um pouco; deixar de lado o que somos e o que aprendemos, talvez nosso modo de vida não seja o modo de vida do outro. Sei que é um tanto difícil, eu também tenho muitas dificuldades com isso. Porém, podemos dar essa chance a nós, as nossas imbecialidades. 




sábado, 12 de maio de 2012

De passito a passito

Beijo gay: Danilo Gentili dá selinho em baixista no "Agora é Tarde" / Reprodução

É meus amigos. Nem sei porque começo a minha pequena postagem de hoje, e digamos, que há muito não acontecia, com "é meus amigos". Por vezes, ficamos insistindo tanto, lutando tanto e parecendo não fazer nada, que cansamos um tantão! 

Enquanto no Brasil, as grandes polêmicas políticas são os escândalos e a formação de novas ferramentas governamentais, algumas decisões nos assustam. Gente inocente todo o dia sendo julgada e condenada, e digo isso reafirmando o que grande parte dos detentos diz ao ser pegos pela força policial: "sou inocente". Não sei se todos são, mas grande parte é mais inocente do que nós mesmos. Num mundo cheio de corrupções e interpretações equivocadas, calcadas apenas num contexto histórico estanque, em que não há nenhuma evolução moral, ética. Neste mundo, aonde o beijo gay, ou a falta da sua trasmissão na novela das oito é um grande tabu, o remédio fitoterápico para o problema é satirizar. Torná-lo uma brincadeira, que nem sempre agrada a todos, mas que de alguma forma consiga sensibilizar a sociedade.

Ahh... e como é difíl conseguir isto. Alguns folhetins da televisão tem insistido neste assunto. Tivemos a bela atuação do persongaem Crô em Fina Estampa (novela da Rede Globo), interpretado por Marcelo Serrado, que colocou em xeque muitos preconceitos de forma divertida. O personagem extremista discutiu muitos tabus e mostrou o quanto, mesmo um super assumido, precisa suportar, já que escondeu os seus romances. Talvez, apenas por questões de princípios da emissora, ou quem sabe, para retratar uma realidade ainda enraizada na grande parte dos relacionamentos homoafetivos.

Uso um trecho do prefácio do livro de Guilherme Rodrigues Passamani, Arco Íris (Des)Coberto  que vem a calhar com o dia das mães. É uma crítica, mas acima de tudo, é uma realidade.

"O mundo está estranho: os filhos gays é que têm que acabar por entender a seus pais. Como podem pedir isso?

- Velhos, queria lhes dizer que estou namorando.

- Que alegria, filho. Com um menino ou uma menina?

Algum dia vai ocorrer. Eu gostaria de presenciar. Por isso escrevi este livro. Porque a homossexualidade voltará a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: nada"

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Ela é a grande TOP

Sem meias palavras, Gisele é o exemplo de personalidade, de empreendedorismo e do que pregam os ambientalistas, consciência socioambiental.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

3 x sexo

(Texto retirado do O Globo de autoria de Francisco Bosco)

Como um sinal inequívoco de que, apesar dos infelizes Bolsonaros, o mundo avança na obra, moderna por definição, de desmontar preconceitos, numa mesma semana tive encontros com três representações de questões fundamentais da sexualidade. Representações que nos ajudam a compreender melhor essa dimensão central do sujeito que é a sexualidade, contribuindo politicamente para livrá-la do obscurantismo e de suas consequências: neuroses intensas, vidas desperdiçadas, explosões de violência. A presente edição da revista “Trip”, o filme “Céu sobre os ombros” e a série televisiva “Oscar Freire 279” tematizam questões como homofobia, prostituição, travestismo e monogamia — sempre com desassombro e inteligência.


A excelente edição da “Trip” traz uma entrevista de Zé Celso (que se define, gloriosamente, num lance de anti-identidade, como homem sexual); uma matéria com pessoas que mantêm relações grupais amorosas e sexuais; e um retrato passado- presente da dupla Luhli e Lucina, que nos anos 70 viveu um casamento a três, um “trisal”, como elas chamam. São formas de vida que não se deixaram intimidar pela monogamia compulsória, fonte de tantos sofrimentos. Sim, pois a monogamia ocupa um lugar simbólico análogo ao das drogas na nossa sociedade: uma mistura de tabu e hipocrisia. As drogas, quase todo mundo nega, mas muita gente usa; a monogamia, muita gente exige, mas quase todo mundo descumpre. Assim como acontece com a política fracassada das drogas, o obscurantismo na tematização da monogamia leva a uma política potencialmente fracassada das relações amorosas.

Um único exemplo dá a dimensão do tabu que envolve a monogamia hoje. Num episódio da série “House”, uma mulher jovem e bonita, casada com um homem idem, adoece subitamente. Após diversas especulações, o dr. House chega a um diagnóstico: ela contraiu um vírus africano (sic), cuja transmissão é genital. Ou seja, ou ela ou seu marido fizeram sexo com outra pessoa. A mulher está em estado grave e não admite o que fez. Só à beira da morte, aos 45 do segundo tempo, ela confessa. O marido, por sua vez, abandona-a, alegando que “não se pode amar alguém assim”. Eis aí um brado retumbante: monogamia ou morte! Entre nós não é diferente. A capa da revista “Veja” desta semana traz uma associação entre corrupção (uma questão pública) e adultério (uma questão privada), implicitamente conferindo um valor moral positivo à monogamia.

Não se trata de recusar ou defender a monogamia, a priori e universalmente, mas de compreender os problemas que ela envolve, de modo que as pessoas possam ter maior autonomia para criar formas de vida em maior concordância com as suas próprias e inalienáveis fantasias. Há aqui um princípio: é preciso, inicialmente, des-moralizar as questões, para depois fundar, sobre essa compreensão, uma moral (individual). É exatamente isso o que faz a “Trip”. Recomendo fortemente sua leitura.

Outro tema igualmente submetido em geral a um tratamento hipócrita ou moralista é o da prostituição. Gabeira teve que ter coragem (virtude que não lhe falta) para defender a legalização da profissão quando estava em campanha (proposta que conta com meu apoio). Se é certo que a literatura já tratou do tema com profundidade e complexidade, o mesmo não costuma acontecer em programas televisivos. Pois é o que acontece na série “Oscar Freire 279” (Multishow). Sua protagonista é uma jovem, de classe média, linda, que se torna garota de programa por razões afirmativas (o prazer, a riqueza, a aventura existencial mais interessante que o roteiro previsível do casamento-emprego-família etc.). A série não idealiza a prostituição e ilumina também suas dimensões de sofrimento físico e moral. O decisivo é que ela não adere à perspectiva moralista (adotada pelo pai da “moça de família” que passa a se prostituir): dispõe, sobre a mesa, as diversas variáveis da questão, as alegrias e as angústias — e deixa que o espectador julgue por si próprio (eis o princípio de des-moralização inicial que mencionei acima).

O preconceito é sempre o efeito de uma distância; a proximidade humaniza e desmonta os estereótipos em que ele se funda. Talvez não haja uma figura social tão submetida a preconceitos quanto as travestis (já que o português me obriga a escolher um artigo de gênero). A recusa ao lugar social das travestis é tão forte que quase nunca se as vê em lugares públicos, à luz do dia. É absolutamente inaceitável que uma decisão sobre o próprio corpo (passar do masculino ao ambivalente masculino/feminino) implique uma condenação a um estatuto de pária social, de existência reconhecida apenas como objeto sexual a ser comprado (e renegado, como demonstrou um conhecido episódio envolvendo um jogador de futebol). Daí a importância de representações que mostrem travestis desempenhando funções sociais normais, como a travesti- professora do delicado filme “Céu sobre os ombros”, de Sérgio Borges (que vi na edição presente da Semana dos Realizadores). Como prova do preconceito brutal, é mais obscena a imagem em que a travesti cita, fluentemente, a teórica americana Judith Butler, do que a cena em que ela faz sexo oral com um cliente, no carro.

Um mundo em que homossexuais tomam porrada e travestis têm que viver sorrateiramente é um mundo que deve ser transformado. E já está sendo, cada vez mais, felizmente.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Caso do suposto abuso sexual no exército em SM

A triste e violenta história de um soldado aqui de Santa Maria. O processo, infelizmente, está se utilizando de recursos desnecessários, como a comprovação de retardo mental, que considero totalmente desnecessária. Acredito que as autoridades e toda a sociedade deve abrir os olhos para estes doentes que estão enraizados em nossos sistemas, principalmente os ligados a forças de opressão, como o Exército Brasileiro. Espero que esta história pelo menos tenho uma resolução convincente. Acompanhe está ótima matéria do Sul 21.

Soldado estuprado no quartel em Santa Maria: ‘Farda nunca mais’
Renan Antunes de Oliveira
Jornal Já


Ele era um pracinha que amava a banda Restart e usava calças coloridas como as dos ídolos, mas pro pelotão dele seu gosto é coisa gay. Durou três meses no quartel, até o estupro na frente de 14 colegas – nenhum o ajudou. IPM sob medida recomenda expulsá-lo do Exército.O pracinha gaúcho de iniciais DPK, 19, enfrenta o Exército na Justiça Militar. Ele tem poucas chances de ganhar, mas pelo menos honra a tradição de luta do uniforme verde-oliva. DPK está ameaçado de pegar cadeia depois de denunciar ter sido estuprado no quartel por quatro dos 19 colegas de alojamento – os demais disseram que não viram nada acontecer. “Eu fui violentado e quero Justiça”, afirma DPK, 120 dias depois do incidente, acontecido em 17 de maio no quartel do Parque de Manutenção do 3º Exército, em Santa Maria (RS).

Um inquérito policial militar (IPM) concluiu que foi sexo consensual. O caso corre em segredo na 3ª Auditoria Militar. A ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário mandou o ouvidor nacional de DH Domingos Silveira investigar o IPM. Ela quer “verificar a situação desta violência que está sendo tratada com tamanho desrespeito”. Durante entrevista no sábado, 17, o soldado afirmou que enfrentará a acusação no tribunal. Ele disse que o Exército convenceu seus quatro agressores a mentirem no IPM, oferecendo para eles penas menores em troca de acusá-lo de homossexualismo – o objetivo seria isentar a instituição da responsabilidade sobre o suposto estupro.

Pelo relato, seu pesadelo começou quando se apagaram as luzes do alojamento do 3º Pelotão, às 10 da noite: “Eu fui atacado de surpresa pelos quatro e não tive como reagir”. Um quinto soldado ficou vigiando a porta e, nos beliches, outros 14 assistiram tudo e nada fizeram.O soldado revive o drama numa sala também lotada, por advogados, amigos e familiares, inclusive uma prima adolescente. Olha para o chão e continua: “Eles me jogaram de bruços na cama e taparam minha boca pra não gritar”.

Exames de DNA comprovaram que três dos quatro acusados o penetraram.Dia 15, o Ministério Público Militar (MPM) acatou a versão do IPM, denunciando DPK e os demais envolvidos pelo crime de “pederastia e outros atos libidinosos”, artigo 235 do Código Penal Militar, passível de um ano de cadeia e expulsão (no CPM só existe estupro se for entre pessoas de sexos diferentes). A turma dos beliches escapou.O Exército jogou pesado contra DPK durante o IPM. Oficiais, sob a condição de anonimato, foram revelando aos poucos para jornalistas partes escolhidas do inquérito sigiloso, difamando o jovem como homossexual, aidético, suicida e mentiroso.

Na versão militar, DPK teria inventado a violação para obter indenização financeira. Toda argumentação do IPM tem base nos testemunhos dos recrutas acusados. Ficou a palavra de um contra quatro. DPK passou de vítima a réu.Dona Ester, 40 anos, mãe do soldado, comanda a defesa dele e partiu para o ataque. Quer responsabilizar o Exército e pedir indenização. Ela contesta a tese central do IPM: “Meu filho não é gay, nunca tentou o suicídio, nem é aidético” – neste caso, exames deram negativos. Ela afirma que o resultado do IPM teria sido manipulado porque foi antecipado em 70 dias pelo general comandante da guarnição de Santa Maria: “Os militares fizeram uma campanha de mentiras para condenar meu filho” (os citados nesta reportagem foram procurados, mas o único a falar foi o comandante). A mãe do soldado disse que DPK se queixava de assédio no pelotão desde fevereiro, quando foi ao quartel pela primeira vez usando calça justa e colorida, à moda da banda Restart, a favorita dele.


Alojamento do 3º pelotão

Segundo o IPM, 20 soldados estavam no alojamento na hora do incidente, contando com DPK. Um ficou de sentinela. Os quatro acusados pelo ataque encostaram três beliches, improvisando a cama onde deitariam DPK. A sessão de sexo durou 30 minutos. Os outros 14 recrutas, interrogados pelo capitão Newmar Schmidt, disseram não ter visto nem ataque nem orgia. “Muitos viram e nenhum me ajudou”, insiste DPK. “Durante três meses os carinhas do pelotão fizeram piadas, passavam a mão na minha bunda, mas nunca pensei que chegariam a tanto”, relembra. Ele acha que o assédio começou mesmo por causa do figurino Restart. “O pessoal aqui diz que minha roupa é coisa de gay”.Peritos encontraram esperma dos soldados JS, JPR e VRS nas ceroulas de DPK (os nomes completos não podem ser citados por causa do segredo de Justiça).

O último a ser ouvido no inquérito foi DPK. Ele manteve que foi violentado. No interrogatório, Schmidt perguntou se para subjugá-lo os supostos agressores usaram “correntes, cordas, fios de luz ou de nylon”? Resposta: não. Para intimidá-lo, se usaram “baioneta, faca, pistola, revólver, fuzil, escopeta, metralhadora”? Resposta: não.

O capitão relata nos autos um exame feito pelo enfermeiro do hospital da guarnição, que levantou as cobertas e deu uma olhada no traseiro do soldado. A conclusão deste perito: “Seu corpo não exibe marcas compatíveis com a resistência que teria oferecido”. Exames independentes feitos pela família não foram aceitos pelo IPM.Juntando os nãos, a ausência de marcas no corpo e a confissão dos acusados por DPK, o IPM fechou redondo na tese da orgia gay.


Foi brincadeira de rapazes, diz general

“Houve crime, mas não foi estupro”, disse em entrevista na segunda-feira o general Sérgio Etchegoyen, comandante da 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria. “O IPM foi conduzido de forma isenta pelo oficial encarregado”.Uma versão completa do incidente já tinha sido dada pelo general em sigilo aos deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha, em sete de julho. Lá, ele disse que tudo fora “uma espécie de luta corporal de brincadeira entre os rapazes”. Etchegoyen disse ainda que apenas “constatou-se lesão leve no ânus do soldado DPK, o que por si só não comprova o alegado estupro” – falava 50 dias depois do ocorrido, antecipando em 70 o resultado do IPM.O depoimento foi distribuído aos jornais por um deputado petista. A revelação enfureceu o general. Na segunda, por telefone, ele lamentou que “um tema tão sórdido tenha sido levado a público pelo deputado. Ele diz o que quer porque tem imunidade, mas eu tenho um compromisso com a privacidade com meus subordinados”.Na batalha pela mídia, tudo já indicava que DPK seria transformado em réu no IPM.

A boataria na cidade cresceu tanto que em 29 de agosto, duas semanas antes da conclusão do inquérito, o MPM divulgou uma nota preventiva, isentando o Exército das acusações de tentar “abafar o caso ou descaracterizá-lo”. O promotor Jorge César de Assis, o mesmo que depois aceitou a denúncia, afirmou que “… as Forças Armadas estão entre as instituições que detém a maior credibilidade perante a opinião pública” e que “não há nenhum indício de que estejam fazendo isto” (abafando ou descaracterizando).

A escaramuça do hospitalDPK no hospital militar

Depois do ataque, DPK não quis mais sair da cama. No dia seguinte, quarta 18 de maio, um sargento estranha sua apatia e logo descobre tudo, alertando superiores. O soldado é internado no hospital da guarnição, onde seria periciado pelo tal enfermeiro. Um aspirante a oficial anota que ele parecia deprimido e suicida, receitando antidepressivos.Um recruta do mesmo pelotão é destacado para vigiá-lo no leito, mas piora as coisas porque o ameaça: “Se falar, você vai se ferrar”.Dia 19 de maio. DPK liga pra mãe, mas não conta nada: “Eu tive vergonha”. No quinto dia, 22 de maio, a mãe ouve boatos de um estupro no quartel. Num palpite, ela manda o marido apurar – a fama do quartel é ruim desde 2006, quando dois soldados foram expulsos por violentar um terceiro na padaria da guarnição.Seu Luiz encontra o filho escondido sob cobertores, com as mãos no rosto. Chorando, DPK conta tudo pro pai. Dona Ester se materializa no hospital. Em modo de combate ao lado do filho, interroga todos que vê pela frente.

O subtenente Jorge Bernardes faz o papel de assistente social. Ele explica candidamente aos pais que “o menino participou da ‘cerimônia do sabonete’ durante o banho. Caiu, quem se abaixa para juntar já era”. E que não tinha dúvidas: “O filho de vocês é gay”. Dona Ester diz uns palavrões para Bernardes, acampa no quarto do filho e expulsa de lá o sentinela. Os militares tentam tirá-la do quartel, mas ela se recusa a sair.
O general Etchegoyen oferece transferir DPK para o QG, promete que lá seria tratado como filho por oficiais mais velhos. Dona Ester também não aceita. O general disse que cedeu às exigências dela porque “era compreensível o sentimento de mãe”. No último dia dele no hospital, 25 de maio, um capitão aparece com ordens para transferi-lo em carro oficial e fardado para outra unidade militar. Dona Ester bate pé: “Daqui ele só sai comigo e vai para casa”. Ela ganhou de novo. Licenciado, sempre recebendo o soldo de R$ 473 mensais, o filho está desde então na casa dos pais.


De volta pra casa

E como vai indo o soldado DPK? ”Tô maus, mas vou levando, vou superar”. Na entrevista ele vestia calça justa, tênis Nike e jaqueta escura – nada colorido. Seu cabelo é o moicano estilizado da hora. Magro, 1m80, pele bem morena, apesar do sobrenome e sangue de imigrantes alemães. O soldado fala baixo, com voz grave. Tem um tique nervoso que o faz jogar os lábios muito pra frente ao falar, fazendo biquinho.Seus melhores amigos são as irmãs de 9 e 7 anos. A mãe conta que ele ainda brinca com elas de esconde-esconde. E Samuel, com quem vai ao culto da Igreja Quadrangular nas quartas.Na sala lotada, DPK se vê forçado a responder se é gay ou não – mesmo que quisesse sair do armário seria difícil, ainda mais com a curiosa prima adolescente refestelada numa poltrona. Ele demora segundos. Todos na sala com respiração suspensa. Mas a voz grave e firme vem do biquinho: “Sou hétero”. Ao lado dele, o pai relaxa os ombros, parecendo respirar aliviado.“Meu filho não é gay” atesta dona Ester, percebendo que a tese do homossexualismo é central na disputa jurídica. Ela ainda desafia: “E se fosse? Poderia ter sido estuprado?”.

Os advogados dele querem provar que o soldado é retardado mental e que o Exército falhou em perceber isto nos exames de ingresso. Se for declarado incapaz, voltará a ser considerado vítima de violação. A mãe concorda. Ele ouve ser chamado de retardado e nem pisca. O pai ajuda: “Meu filho nunca conseguiu ser aprovado na escola depois da 5ª série do primeiro grau”. Pais e advogados desencavaram pareceres de professores, laudos de exames neurológicos e testes psicológicos extras do menino lá na escola primária. Um psiquiatra de Santa Maria atestou retardamento e déficit de atenção por hiperatividade.

O pai quer que o drama termine logo para mudar-se da cidade e fugir do escândalo. DPK revela o sonho que tinha de permanecer no Exército depois do serviço obrigatório, mas sabe que agora não será mais possível. A mãe fecha o papo: “Esta farda você não veste mais”.

sábado, 17 de setembro de 2011

Poupar para ter

Em crise ou não, poupar, segundo especialistas, é a melhor saída para garantir uma qualidade de vida agora e no futuro.


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As notícias nos envergonha

Olá.... faz tempinho que eu não apareço por aqui. Motivos, tenho muitos, na grande maioria, ou melhor, os importantes são positivos. No entanto, quase por costume, quero alertar sobre mais um caso terrível, em que a investigação e todo o andamento do processo acontece de forma nada transparente. Também pudera, está inserido na entidade conhecida por seus mecanismos de opressão.

O caso do militar de Santa Maria, 19 anos, que supostamente foi violentado sexualmente em maio deste ano ainda não teve resolução convincente. A princípio, como aponta reportagem do jornal Diário de Santa Maria, de acordo com a manifestação do Ministério Público Militar (em anexo), o jovem teria consentido o sexo.

Vamos dizer, como hipótese, que essa seria a versão real dos fatos, o que eu não acredito. Sabem o porquê??? Digamos que o jovem fez a denúncia para não necessitar assumir a sua homossexualidade (segundo o julgamento dos supostos agressores que o consideram gay), o que seria difícil, pois se pensasse um pouco sobre o assunto veria que o caso iria ter repercussão.

Então, agora, como de costume, ficaremos no diz que diz. Acredito que a Justiça Militar irá expulsar todos os envolvidos no caso das forças militares, pois é melhor abafar bem o assunto e não determinar culpados ou inocentes num caso em que está em jogo muito poder, e que os respingos de sangue e gritos de dor possam começar a ecoar entre cidadãos que pregam a moral e os bons costumes familiares.

Gostaria de acordar amanhã e ver na capa dos jornais de Santa Maria a manchete afirmando, pelo menos, que caso de militar foi desvendado... quer dizer, eu continuo com fé no ser humano. E a vida segue!

Ministério Público Militar afirma que sexo em quartel de Santa Maria foi consentido
Próximo passo é Justiça Militar aceitar denúncia

Até o dia 28 deste mês, a 3ª Auditoria da Circunscrição Judiciária Militar em Santa Maria deve se manifestar sobre a denúncia do Ministério Público Militar (MPM), que incrimina seis homens pela prática de ato libidinoso dentro de uma unidade militar da cidade. O promotor Jorge Cesar de Assis remeteu, nesta terça-feira, o documento à Justiça. São sete páginas que contém detalhes do ato protagonizado por cinco militares no Parque Regional de Manutenção.

Conforme a Procuradoria de Justiça Militar, a relação foi na noite de 17 de maio, não há vítimas — à época, um recruta de 19 anos disse ter sido estuprado — e não teria ocorrido abuso (o ato sexual teria sido consentido). Ainda há um sexto acusado, que é o sentinela que estava de plantão naquela ocasião, e nada fez para que o ato não ocorresse. O jornal Diário de Santa Maria não teve acesso à denúncia pois, conforme Assis, crimes dessa natureza correm em segredo na Justiça Militar.

A partir de agora, quando o juiz-auditor Celso Celidonio se manifestar, a Justiça Militar recebe a denúncia ou a rejeita.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Lady Di

Se como dizem "esquecer é permitir e lembrar é combater"; hoje, precisamos fazer referência a nobre dos povos no final do século passado. Sim, Lady Di, a princesa Diana não tinha apenas o seu reinado (perdera com a separação), porém, conquistou súditos em todo o mundo. E para ela, estes jamais deveriam ser subordinados como pensa a coroa inglesa.

Sua vida foi uma revolução democrática, sua morte a constatação de um novo tempo. Em que lidar com a fama, com a exposição é obrigação, seja dos nobres, seja de quem dia-a-dia a busca por meio das redes sociais, de blogs (sem modéstia me incluo), etc.

A DIANA não passou apenas uma imagem trabalhada por um RP (Relações Públicas), muito comum nos altos escalões de poder. Uma princesa, uma menina, um DIamante raro e inocente. Objeto de caça do príncipe que era um sapo (não conseguiu mutar-se). Casamento aclamado. Vida conjugal confusa e cheia de escândalos. Anos depois de sua morte, seu filho mais velho casado, não podemos deixar de lembrar desse aniversário, mesmo póstuma.

Veja matéria que resume sua tragetória.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Registro

Fica aqui o registro da participação da Maria Berenice Dias no Programa do Jô na última segunda-feira (13/06).


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Eu não quero voltar sozinho

Um curta gay para curtir neste final de semana de enamorados. Como toda a produção homoafetiva no Brasil houve problemas na sua exibição, críticas pesadas e que distoam a intenção e a arte do trabalho. Se um tema hétero essas discussões nem existiriam. O curta é de um primor e de uma delicadeza comovente. Espero que gostem. E segundo o site da ACapa parece que o roteiro será estendido para um longa metragem. Ficamos então na espera.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Vários depoimentos

As postagens que vi sobre o vídeo, principalmente neste blog do Mix Brasil o nominaram como conservador. No entanto, sua relevância é imensa. Acredito que não vem ao caso dizer se é ou não conservador, a influência dele, seu papel social, esta simplesmente em mostrar, por meio de depoimentos diversos, algumas experiências na vida gay, principalmente as ligadas ao ato de assumir-se como tal.

Uma boa dica para começar o mês de junho e refletir durante a maior Parada Gay do Brasil é atentarmos para as questões que perpassam o direito e a vida em sociedade. Pensarmos um pouco mais no ato de assumir-se, nesta ainda difícil fase de um gay.


"não gosto dos meninos" from Mirada on Vimeo.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pensando na política

O atual governo não tem me instigado a escrever. Quem sabe, por estar me frustrando constantemente, ou talvez por ter eu criado espectativas até irreais sobre o que poderia ser feito. Não quero dizer também que está péssimo, porém, está longe de algo bom.

Não falo assim por causa do caso Palocci, ou dos esquemas de corrupção. O fato é que o Código Florestal se tornou uma vergonha nacional. Um atestado de mediocridade da população que esperava - e votou para isso - uma alternativa eficiente, não apenas eficaz. No momento de conflito é mais aprazível você ficar em cima do muro, não concordar somente com o João ou com a Maria. Uma vergonha! Nessas horas eu até gostaria que a Marina Silva estivesse a frente do Planalto (mesmo sendo muito receoso quanto a isso).

Agora tem outros dois fatos lastimáveis. O recolhimento do Kit Gay, com a alegação que isso iria induzir as "crianças". Me desculpe. Colocam um livro didático nas mãos das "crianças" com o português coloquial (sou contra o preconceito linguística, mas penso que nem em nível de universidade este assunto consegue ser tratado com uma argumentação sólida e por vezes pode ser mal interpretado) e acham ruim colocar um material que mostra abertamente a vida de um homossexual? Convenhamos - adoro esta palavra -; não quero endeusar a vida gay, mas os heterossexuais sempre fizeram isso com sua moral estruturada numa camada de gelo fina sobre as águas da realidade (que bem sabemos como é).

E pra piorar toda a decepção. Agora a bancada evangélica (nada contra a manifestação religiosa, mas cada coisa no seu lugar) entra em acordo com os parlamentares no projeto da PL122, ou vice-versa. Isto perpassa a vergonha de toda a sujeira política, de todo o descuidado com a população.

A esperança é a luta, ou seria o contrário. Daqui a pouco a maior Parada Gay do Brasil, da América Latina e quem sabe do mundo em São Paulo. Eu cá, apenas lutando nas palavras, no dia-a-dia, espero que muitos assim o façam, para não cairmos na desilusão total, no breu da solidão e do fracasso, que chegando tão perto, temos que recuar em prol do bem estar político partidário.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Num dia de discussão


Hoje como todos sabemos (04/05/2011), e espero profundamente que seja um dia que se tornará marco na história dos direitos humanos no Brasil. Neste exato momento a Suprema Corte brasileira (STF) julga a proposta da inconstitucionalidade vinda da Advocacia Geral da União para o artigo do Código Civil que legaliza a união estável, no entanto, este nada fala dos homossexuais, sendo apenas privilégio de relações entre homens e mulheres.

Deixo para transcorrer sobre o fato daqui a pouco. Neste momento, quero apenas reforçar o primeiro argumento da defesa pela ação de inconstitucionalidade. O poema de Oscar Wilde.


"O Amor, que não ousa dizer seu nome,"

Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia.

E ele, inebriado pela cotovia

(que paira à janela, mas depois some...),

Sentiu crescer, súbito, na alma, u'a fome

De algo que, até então, desconhecia.

Desejo... estranheza... culpa... agonia...!

Desce aos umbrais, na angústia que o consome!
... porém, depois das lágrimas enxutas,

Chamou a cotovia, deu-lhe frutas,

E sorveram, um no outro, a própria essência.

E ambos, nessa atração de semelhantes,

Num cingir de músculos, os amantes

Ergueram-se aos portais da transcendência.

Oscar Wilde, 1876.

Olhos atentos