quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Um chamado para a libertação


Na segunda-feira a noite me dispus a ir há um evento sobre a Consciência Negra. O Sindicato dos Professores da UFSM organizou um Cultura na SEDUFSM com o tema: Novembro Negro. Então, sentei, guardei lugar para uma amiga. As esplanações começaram e eu aí, só ouvindo, e diga-se de passagem, meu nível de concentração era enorme. Até que do nada surge uma ex-colega de curso, que ainda está na faculdade.

Papo vai, papo vem, ela está produzindo o seu trabalho final de graduação, também conhecido como Monografia. Enfim, ela estava com seu projeto em mãos pois acabara de falar com sua orientadora. A primeira coincidência, a mesma que me orientou nas minhas nuances passadas. Então perguntei se poderia ler e o fiz. Ao terminar, e colcoar as minhas sugestões ela olha pra mim e diz o seguinte: "Julio, este trabalho eu tive a ideia a partir daquela Jornada Científica em que você apresentou o seu projeto de monografia e disse 'se eu não fizer um trabalho sobre os gays, quem fará?'"

Vocês não imaginam como isto me emocionou, correram lágrimas, me senti frágil, coisa que não gosto de admitir, de jeito nenhum. A situação era oportuna, eu estava me sentido lisonjeado, e mais que isso, percebia que as minhas palavras avulsas fizeram sentido para alguém, além de eu mesmo.

Continuamos a conversa - eu tentando disfarçar a minha exitação. Disse-lhe que devemos sim sairmos do silêncio, deixarmos os cantos escuros, pois para mim a identidade positivada como muitos teóricos tratam têm cabimento no momento em que não só os movimentos sociais, ou situações de grande impacto promovam a discussão e portanto deêm um passo a conquista de direitos civis a estes excluídos; mas sobretudo, que cada indivíduo, dentro do seu habitat, daquilo que produz e vive, possa demonstrar o quanto se orgulha, de ser gay, de ser negro, de pertencer e se sentir representado - mesmo que não de maneira global.

Deixarmos apenas que alguns fiquem criticando, sugerindo ou criando ideias sobre o que é ser gay, o que é ser negro (apenas como exemplo) é deixar os outros decidirem o rumo que queremos para a nossa vida. Pois podemos trabalhar, casar; levar uma vida 'normal', mas não conseguiremos deixar de ser negros, não consiguiremos deixar de sermos gays - por mais que os evangélicos e alguns psicologos andam prometendo cura. Somos isto é pronto.

Não tenho como terminar este texto, afinal, é interminável as reflexões sobre o assunto. Deixo paa vocês apenas mais um debate que precisa ser assumido. A homofobia que dia-a-dia vem sendo demonstrada pela mídia - antes apenas ela não aparecia, mas existia - precisa ser resolvida. Começemos pela escola: 'matéria sobre'.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Um bom show

Claro que não estou falando de nenhum show internacional, algo supra-sumo. Mas simplesmente um show que vale a pena, pela musicalidade, pela expressão de um rock pop bem feito no Rio Grande do Sul. Me dá orgulho de ouvir bandas assim. Só não entendi ainda como nenhum global resolveu inserir está música nas teledramaturgias.... ela é linda...

Hoje para quem estiver nas proximidades na região noroeste do Rio Grande do Sul, região da Grande Santa Rosa, na cidade de Tucunduva, aonde nasceu a banda 'Os Atuais' acontece mais uma edição da Festa do Músico. Ela é voltada para as bandas que tocam músicas de bailão, algo típico na região noroeste.

A Festa do Músico conta hoje com o show dos Anjos do Hanngar. E para quem não conhece a banda, aqui está uma das músicas, entre no site da banda e conheça um pouco mais. Acho que vai valer a pena!!!


Mais que um simples registro

Um dos caras mais inteligentes do nosso tempo, eu assim o considero. O italiano, sociólogo, escritor e acima disso tudo, pensador Domenico de Masi me inspira ao acreditar que as relações de trabalho do homem do mesmo modo que são resultado de uma evolução, também estão nos levando passa a passo ao abismo. Deixamos de lado as coisas importantes e queremos apenas ganhar, crescer, sermos reconhecidos.

Muitas vezes, esquecemos que o trabalho deve ser algo praticado com prazer, e também, uma forma de nos mantermos vivos, quer dizer, simplesmente o sustento. Claro que ele não é contra aos grandes lucros, desde que este modo de viver não interfira na liberdade do pensamento do homem, afinal, perdemos muito tempo trabalhando, nos estressando e deixando de viver.

Destas minhas pequenas colocações vieram ao assistir uma reportagem do Jornal da Globo que está aí abaixo. Gosto muito de uma frase de sua célebre obra "O homem que trabalha, perde tempo precioso"; fica a dica.... precisas lê-lo para compreender a amplitude e as outras maneiras de se trabalhar.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Feira do Livro para todos os públicos

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Depois da Eleição

Passadas as eleições no Brasil, com decisão de manter o modelo do atual governo, Dilma, a primeira presidenta do país traz mais esperança aos desassistidos. Entre eles, nós os gays. Muito me revoltou durante a campanha presidencial o uso de posições ideológicas que influenciam nos direitos humanos para arrecadar eleitores.

Um dos exemplos que não podemos deixar de citar pós-campanha é o fato da questão do aborto e da união civil homoafetiva. Bah!!!! Foi a maior confusão de conceitos 'nunca antes na história deste país' que, nós eleitores, fadados ao pouco crédito de nosso conhecimento, tivemos que engolir. Pior ainda foi ouvir críticas de quem votaria no PT seriam apenas os que são contemplados com as 'bolsas' e não tem acesso a informação.

Uma burrice, uma enganação. Assim como os fatos da defesa do aborto e da contrariedade da união civil homoafetiva é hipocresia.... ficou mais acentuada com a presença de pastores.... o Malafaia... e o tal apóstolo daquela Mundial... que diz que faz milagres.

Enfim, pessoas confiáveis, que a gente conhece bem. Nada contra, mas nada a favor. Somos uma nação democrática, LAICA, e então, não cabe ao Papa (que também andou dando uma metida de dedo na história) e líder espiritual nenhum. Espero, sinceramente, que Dilma faça um bom governo. Agora se não fizer, pelo menos, eu terei a certeza que uma pessoa menos ruim governou o país.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O sonho acabou

Passado aquela sensação de angústia provocada pela lembrança do terrorismo de 11 de setembro de 2001, a vida segue. Mas desde então, acredito que ela não segue no mesmo rumo. Estamos num novo milênio, um novo século. Aquele, que mais uma vez, acredita-se ser o último. O que ficou para trás nos deixou muitos ensinamentos, o principal seria que não há verdades absolutas, que não há apenas uma versão das coisas.

No entanto, alguns fanáticos, sejam ateus ou cristãos, mas que acreditam estritamente nas teorias ditas como verdades, dizem que o mundo e as coisas são cíclicas. Pode até ser, que de tempos em tempos temos crises, temos bonanza, mas tão programados não somos.... tenho quase certeza.

E aí chegamos em 2010, aparentemente não aconteceram grandes mudanças. Ou apenas estamos esquecendo de cruzar algumas informações vitais. Muitos podem dizer que as mudanças pertencem apenas a situação climática, outros a econômica, e outros ainda apenas com os modelos para se viver. Diria que é uma reunião de tudo isso.

De um lado, os EUA com o aumento da pobreza, reflexo da crise gerada pelo seu próprio sistema. E o melhor, ver eles discutindo e criticando sobre como os outros países estão influenciando negativamente, no caso da China e sua política cambial. Ao mesmo tempo em que se discute a construção de uma mesquita próximo ao local do ataque terrorista de 2001. De outro, a ilha da utopia que nunca foi um sonho. Cuba demonstrou que o radicalismo nunca deu certo. Os EUA podem dizer, "nós avisamos"; mas Cuba pode fazer o mesmo discurso, já que as coisas lá em cima não andam nada boas.

Duas realidades antagônicas que demonstram que os idealismos, as buscas por uma única verdade, não estão com nada no nosso tempo. O que me espanta ainda mais é atitudes como a da França de proibir as vestes femininas usadas pelas muçulmanas - aquelas que tapam o rosto. Quer dizer, não era a França um país das culturas??? Não sei de mais nada. Só penso que gosto do que vejo, que o mundo está indo para uma direção melhor, que homem está tendo as provas de que as verdades precisam ser construídas, e que para a dor de muitos crentes, não há uma escritura que norteia tudo isso.

Somos e devemos ser agentes das mudanças. Se o sonho do capitalismo desenfreado está indo por água abaixo, o sonho do estado gestor e provedor também ruiu. Modelos??? Quem sabe devemos nos preocupar menos com eles e deixar as coisas acontecerem. Se iremos acabar em 2012, ou será mais uma daquelas previsões que não deram certo.... ahhhh... não sei! Só espero que haja uma revolução em prol da realidade.

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Enquanto isso, a política no Brasil parece uma guerra de verdades. Só falta alguém aparecer fazendo companha em nome de Jesus. Escândalos por todo o lado, a mídia metralhando, etc. e tal. Não quero defender o governo atual, até porque seria errado fazer isto, mas não sou tolo de acreditar que os escretos estejam apenas de um lado. Quem conta é porque já fez parte. Há muitos interessados com isso. E qual será o motivo desses fatos aparecerem somente na vespera das eleições?.....

Assunto para muitos posts...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais uma conquista importante!!!

Claro que estamos num período eleitoral, eu particularmente, cheio de tarefas, planos, e enfim, com horários e coisas todas bagunçadas... mas isso eu preciso postar e com certa urgência!!! Não farei comentários - especificamente, já que o título diz o que penso sobre - mas deixo como registro essa conquista para os rotulados LGBTT - sigla que não gosto muito, mas acabo usando também por não saber ou não achar outra que a substitua. Não gosto, apenas por ainda sofrer muito preconceito.

Enfim, deixo para vocês uma notícia que saiu agora a pouco no sítio da Folha Online.



Conselho de medicina libera procedimentos de mudança de sexo para mulheres



EMILIO SANT'ANNA
DE SÃO PAULO

A partir desta quinta-feira, a mudança de sexo para mulheres está regulamentada no país. Com a decisão do CFM (Conselho Federal de Medicina), publicada no "Diário Oficial da União", os procedimentos de retirada de mamas, ovários e útero deixam de ser experimentais e podem ser feitas em qualquer hospital que siga os requisitos da resolução.

Apenas a neofaloplastia (cirurgia de construção do pênis) continua sendo considerada experimental. O CFM ainda considera questionável os resultados desse tipo de procedimento.

O tratamento para a mudança de sexo só pode ser realizado em pessoas maiores de 21 anos e deve obedecer aos mesmos critérios da mudança de sexo em homens transexuais.

A seleção dos pacientes para cirurgia continua obedecendo a avaliação de equipe multidisciplinar constituída por médico psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social. Este acompanhamento deve ser de, no mínimo, dois anos.

Para a gaúcha, Cristyane Oliveira, uma das pioneiras a passar pela cirurgia de mudança de sexo no Brasil, em 2001, a resolução do CFM é uma vitória das mulheres transexuais --que não se enxergam num corpo feminino. "É uma conquista e um avanço muito importantes para essas mulheres", afirma.

Em 1997, o CFM liberou as cirurgias de mudança de sexo masculino, desde que realizadas em hospitais universitários, e em caráter experimental. "Fui uma das primeiras a procurar o serviço do Hospital das Clínicas de Porto Alegre", diz Cristyane.

Ela afirma que a resolução do CFM pode aliviar o sofrimento das mulheres que não têm como pagar pela cirurgia em outros países, que podem custar até R$ 40 mil. "Hoje, a Tailândia é um dos lugares mais procurados pelas mulheres, porque lá os médicos conseguem os melhores resultados", diz.

Hoje ela está casada e trabalha como secretária em Porto Alegre. Mas para isso, teve que vencer outra barreira além da cirurgia para redefinir seu sexo. "A mudança de minha identidade levou cinco anos para ficar pronta", afirma. "Na época, o Ministério Público recorreu porque queria que constasse de minha identidade a informação que havia passado pela cirurgia. O caso se arrastou e acabou sendo decido em Brasília pelo Supremo."

Olhos atentos