terça-feira, 10 de março de 2009

O cotidiano do Gay

O programa Conexões Urbanas do Multishow desta semana, mostra um pouco do esquecido mundo gay, o gay que é duplamente, ou melhor, sem definições de vezes marginalizado: o gay da favela. É apenas um exemplo, mas nos faz pensar nos tantos e tantos outros marginalizados, que não lembramos de colocá-los em nossa discussão e ficamos somente com o discurso de classe média.

Assistam alguns trechos:








sexta-feira, 6 de março de 2009

O que lhe causa ver essa foto?



Você pertencente da classe instruída, abastada, da classe que se alimenta saudavelmente e que se não o faz dessa forma é porque não o quer. Da classe que determina padrões de consumo dos alimentos, que se dá ao luxo de fazer dietas. Como você se sente ao ver uma foto assim?

Será que por alguns minutos nos seria possível compartilhar com essa criança o sofrimento que a fome provoca? Por meio de fotografias como essa seria possível a união entre pessoas de boa vontade, preocupadas em ajudar o próximo?

Se você digitar “fome” no Google-Imagens, muitas fotos como essa abocanharão suas retinas, causando-lhe repugnância, raiva, compaixão. Certamente, por alguns minutos, você pensará em ajudar o próximo. Possivelmente isso seja intuitivo, instintivo. Você, por um acaso, se perguntaria sobre o que causa situações como essas? Um quadro como esse requer um pensar crítico, uma ação consciente e não puramente motivada pela compaixão. É mais fácil decidirmos doar alimentos, engajar-nos em movimentos do que nos imiscuirmos a um problema como esse. Qual o sentido de nós, pessoas bem alimentadas, nos atirarmos em campanhas contra a fome se sequer sabemos o que é a fome?

Doação de alimentos, mesmo que sob a melhor das intenções, pode ser um ato de imposição. O país dessa criança da foto tem a sua cultura, tem os seus hábitos alimentares, caso doassemos arroz/feijão e similares, estaríamos respeitando isso? A fome aprisiona e doar alimentos não necessariamente liberta.

Se a legenda fosse outra, mudaria algo pra você?

quinta-feira, 5 de março de 2009

O outro que instiga

Depois de várias e desgastantes tentativas para baixar o filme, ou melhor seria, alugá-lo (até nisso para os gays é mais difícil... heheeh), consegui assistir hoje de noite (4/03/2009) a comédia canadense Breakfast With Scot.

O filme, como já disse, é de temática gay. Mas é uma comédia, e por incrível que pareça, acho que é a melhor maneira de falar sobre esse tema tão complicado para a nossa sociedade, a temática gay. Vide o filme americano de sucesso Eu vos declaro marido e Larry, que fez muito sucesso e não é como Brokeback Mountain, que tem por intenção chocar. Marido e Larry é divertido, sutil nas questões de preconceito e problematiza a sociedade como um todo. Já no canadense, país em que não há problemas na legislação pelo menos, com a discriminação homoafetiva, os personagens de Breakfast With Scot, o casal Sam e Eric é que estão providos de muito preconceito. Com a chegada de Scot, enteado do irmão de Sam, o casal gay precisa se reconstruir. As coisas não foram fáceis e para verificar convido a assistir esse filme que tem um livro com o mesmo nome.

No entanto, o meu papel aqui é me perguntar por que esse preconceito todo que o casal teima em conservar dentro deles. Se estivéssemos no Brasil, se fossem pessoas desprivilegiadas, ou enfim; no caso Sam e Eric são casados, vivem numa casa maravilhosa e desfrutam do bom e do melhor. Têm toda a estrutura para se sentirem livres, mas só com a figura exótica do personagem Scot conseguem se desvencilhar das amarras do medo de ser gay.

Quantos, no Brasil, no mundo ainda sofrem com isso? Quanto tempo, eu mesmo, suportei viver nessa de saber o que sou e negar fortemente? Assim não fazemos ninguém feliz, e muito menos nos tornamos felizes. Se o que falta em nossos dias é o altruísmo, eu diria que em primeiro plano nos falta decência por nossa parte de nos olharmos no espelho e mesmo não sabendo quem somos ou o que queremos, dizer, eu sou assim, e pronto. Melhoraríamos com certeza a nossa vida e, por conseguinte, faríamos mais pelos demais.

Deixo para vocês o trailer do filme - pena que está sem legenda.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Um brinde aos hermanos

UFA!!! A América Latina finalmente entra, no que prefiro dizer, evolução dos Direitos Humanos. Neste final de semana, segundo a agência de notícias BBC Brasil, entrou em vigor na Argentina uma lei que descriminaliza a homossexualidade nas Forças Armadas. Outra mudança na legislação militar do nosso vizinho com a romântica língua castelhana, é que os julgamentos dos militares passa a ser feito pela Justiça comum e não mais pela Justiça Militar.

Essa evolução de uma legislação que vigorava desde 1951 e que se espelha em muitos países da Europa, demonstra uma preocupação dos poderes políticos desse país para com a liberdade, a democracia e acima de tudo a justiça como uma ferramenta de combate a diferença social e contra um sistema elitista.

Claro que decretos não mudam as atitudes, a cultura, mas, são as pessoas que fazem a diferença - uma adaptação um tanto chula do dito de Albert Einstein. No entanto, essas oportunidades calcadas em leis podem permitir pequenas mudanças; e, para evoluirmos não precisamos de grandes guerras, mas pequenas revoluções em nosso dia-a-dia.

Gostaria de parabenizar nossos vizinhos, primeiro, pela coragem e segundo, pela dignidade de colocar uma lei como esta em vigor. Claro que isso não deve significar que os militares poderão ter relacionamentos sexuais, sejam eles homo ou hétero dentro das dependências militares como li infelizmente uma comparação com a legislação brasileira que proíbe atitudes como estas dentro dos quartéis ou durante atividades militares. Enfim, comparação infeliz, porém válida, para lembrar que nosso país necessita de mudanças, vide o caso dos sargentos Laci Marinho de Araújo e Fernando de Alcântara de Figueiredo, que veio a público ano passado e não teve um desdobramento convencedor por nenhuma das partes.

O que mais desejo é que isso mude, no entanto, o nosso poder esta restrito ao voto, a escolha de quem nos representa e, portanto, precisaremos esperar para 2010. Mas pelo que vejo, falta muito para que nosso país entre nessa de direitos iguais.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Agora sim: "Começou 2009"

Na vida coisas são incríveis. Nunca sabemos sequer o que nos estimula a pensar tais coisas, já para outras os estímulos são fáceis, previsíveis, instantâneos. Não diria instintivo, mesmo que possa parecer. O preconceito, a indiferença são esses sentimentos, essas ações humanas, que podemos administrar e que portanto, seriam situações que poderíamos deixar de lado em nossa curta viagem por esses trilhos maravilhosos.

Eu estou fora do blog (desde do dia 19 de dezembro) com intensidade rotineira; e, neste período em que fiz minhas férias, usei do meu ócio para observar a esfera em que vivi minha infância. Algo que não tinha feito com esta intesidade, e ainda não a que desejo. Verifiquei comportamentos que não percebia antes, devo dizer até por nos usarmos das mesmas técnicas de olhar e não enxergar.

Nesta colcha de retalhos de quem volta enlouquecidamente de como disse a Luiza, do carnaval, e de quem volta do ócio, como eu assumo que estive, constato somente que o preconceito, seja de qual vertente for é o que mais marca, é o mais fácil julgamento, é a justiça mais insolidária que existe. E é também a maneira que encontramos para achar que conseguimos comandar nossos pensamentos, já que o contrário disso, o amor incondicional é passível de desgastes, cansaço e muitas dores de cabeça. Aceitar ao outro, se entregar com o outro, fazer pelo outro, é ainda o que falta neste mundo.

Campanhas são feitas em prol da paz, do amor ao próximo, mas o botão do julgamento instantâneo - preconceito - é ativado a todo instante.

Como disse a aninha (amiga e também blogueira). Esta é uma boa campanha publicitária, pois brinca de forma agradável com isso!



Uma reflexão antes do carnaval


Em meio a livros e folhas jogadas e em frente ao meu pc eu me pego a pensar que amanhã a essa hora estarei bebendo freneticamente. Se hoje eu refletia sobre coisas sérias, ligadas ao subdesenvolvimento, amanhã não. Amanhã eu darei folga disso. De amanhã até quarta-feira da semana que vem. Minhas idéias serão todas sobre frivolidades e meus neurônios nadarão em cevada. Nada de pensamentos sérios, de assuntos sérios. A ordem diária será DESCANSAR. E aqueles problemas sobre os quais eu reflito hoje serão coisa deixável para o dia seguinte e isso mesmo que eu não tenha encontrado solução para eles. Continuaremos todos subdesenvolvidos, pessoas seguirão morrendo de fome, outras sendo espancadas e exploradas e escravizadas pelo país afora. Mas, enquanto tudo isso e muito mais tragédias acontecem, eu, euzinha estarei me esbaldando no mar com uma lata de cerveja na mão. Milhares de trabalhadores se afundarão na bebida, também. Por quatro dias (menos ou mais) seremos todos (ressalvadas as exceções) felizes como nunca. Gastaremos nossa quota de felicidade anual? Na quinta-feira (conto com um super feriado de carnaval que, aliás, nem é feriado), voltaremos todos ao quotidiano enlouquecedor, angustiante e todos aqueles problemas esquecidos serão re-lembrados. E terão, por isso, solução?

Será que Deus é brasileiro porque nos deu um carnaval assim, que dá pra esquecer de tudo? América Latina, sempre tão colorida, sempre tão lunática e problemática. Mas sempre tão alegre, será o subdesenvolvimento colorido e alegre e ‘caliente’?

Bom, mais uma nota do realismo fantástico, prestes a acontecer!

Tenham todos um bom carnaval. Deliciem-se no pão e circo, porque na quinta-feira, a vida volta ao normal. Não seremos nem mais nem menos alienados por termos passado quatro dias foliando.

Deveria ter sido postada antes do carnaval, porém, por não ter perdas em seu significado considero válido.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Conversas

Sempre coloco no blog coisas minhas, coisas que falei com amigos e amigas e tal. E não poderia ser diferente hoje. Confesso que estou totalmente em férias, quer dizer, não estou me dedicando nadinha para atividades que possam envolver qualquer desgaste, curtindo como disse esses dias, o ócio total.

Fora isso, continuo fazendo algumas festas (e não são apenas algumas, para ser mais exato). E durante esses encontros sociais a gente fala sobre assuntos singulares e digo mais, assuntos que são tratados entre amigos enquanto estamos com um baixo domínio de nossa consciência e uma liberação enorme de desejos do inconsciente (espero que tenham entendido). Nesses assuntos surge tudo que você possa imaginar. Coisas sérias, intelectualidades até, mas acima de tudo, se fala naquilo que mais certa a vida de jovens, não apenas de idade, mas pessoas com mentes jovens, o tal dos relacionamentos, o tal do amor.

E é engraçado que falar de amor, em dias normais, em situações normais, sem nenhum tipo de alteração, a conversa fica chata, e ao terminar sentimos um peso gigante sobre nossos ombros. É uma atitude não muito interessante de se fazer, a não ser quando for no analista. Mas, falar sobre isso enquanto o som está muito alto, enquanto o álcool está efervescente na cabeça é tranquilo, é relaxante.

Quem sabe é aí que está uma diferença que venho notando das personalidades das pessoas que me rodeiam. Quem trata de assuntos do amor em mesas de bares e boates é despojado, geralmente mais alegre e tal e, quem, leva esses assuntos a sério, geralmente é mais triste, mais depressivo.

Não quero de jeito nenhum incentivar o uso de álcool, mas que durante uma festa é bom falar com amigos (os poucos que temos) e rever o a nossa vida, nossos amores de uma forma despojada. Afinal, envelhecemos a cada segundo, e nos pré-ocupar com coisas tolas não nos levará a nenhum lugar. Poderíamos sim, aproveitar esse tempo precioso para conversar com as pessoas que mais amamos, os nossos amigos. Não importa o assunto, a situação, enfim, conversar sempre é bom e revitalizante.

Abraços e boa conversa!

Olhos atentos