
Para que serve um pai? Mãe todos sabemos da sua importância em nossa gestação, em nossa amamentação, em nossa formação. Constrói-se uma cumplicidade mãe-filho desde sempre. O cordão umbilical, as emoções compartilhadas ainda nos tempos de placenta. Mas e com o nosso pai? Tudo bem que o espermatozóide seja primordial para nossa concepção e até para definição do nosso sexo. Nesse emaranhado de determinismo, dado não escolhermos nossos pais, tampouco nosso sexo e toda a coisa da genética, o que representa afetivamente um pai?
Na minha educação, no meu crescer a função da minha mãe e da minha vó encobriu a do meu pai como se afastá-lo de mim seria o castigo por ele não ter me gestado por nove meses, por não ter padecido das dores sofríveis do parto, por não ter me amamentado. Não formamos vínculo na infância. Fomos estranhos por anos. Eu sabia que deveria amá-lo porque ele era meu pai e sabia exatamente a função dele na família: arcar com as despesas.
A mim sempre pareceu que ele não poderia me amar, afinal, eu não saí dele, poucas vezes tivemos oportunidade de ficarmos juntos tamanha a minha necessidade de estar junto da minha fada madrinha – minha mãe.
Essa divisão de tarefas familiares me afastou sobremodo de meu pai. Agora vejo que ele não é o senhor do lar, aquele que paga as contas e que me sustenta. Antes de ser meu pai, ele é um homem, uma pessoa e, por isso mesmo, os anos me mostraram que ele pode ser meu amigo, que naquele emaranhado de determinismo genético minha personalidade é afim a dele e que podemos recompensar os laços que nos foram tirados na infância.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Para que serve um pai?
O blog de cara nova
Ahh.... e é bom lembrar, que COISAS, para nós significam fatos. Então, não deixe de conferir nossas divagações, nossas críticas, e nossas quaisquer coisas....
Um grande abraço
terça-feira, 24 de junho de 2008
PCC expulsa homossexuais - Por quê?
A informação chegou até mim, pois uma amiga me falou: "Julio, olha lá no Terra. Estou sem entender direito a situação." Fiquei pensando, vou procurar o que tem sobre o assunto na internet. Infelizmente, no jornalismo da web, como temos hoje, de um veículo para outro, a informação não altera, mal mudam de palavras. Alguns até copiam indicando a fonte: menos mal. Tirando esta indignação de um jornalista, vamos lá para o que interessa.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), já fez alvoroço em todo o país. Quem não lembra dos episódios de rebelião em 2006? Enfim. Segundo a notícia de hoje, eles começaram a expulsar os integrantes homossexuais do movimento, embora que afirmam não permitir tal orientação entre eles. Como assim?: me pergunto. Quero entender também isso. A notícia pode ser uma estratégia bem bolada para dar mídia. Já que o PCC se mostrou muito bem articulado dentro das questões de midiatização. Sempre os maiores acontecimentos se davam exatamente quando entrava o Jornal Nacional da Rede Globo no ar: no mínimo engraçado; ou eles tem uma assessoria de imprensa montada... risoss... e quem duvida.
Porém fico ainda em dúvida. Paro, leio mais uma vez a notícia. Tem algo errado nisso, não sei bem o que, mas tem! Vamos tentar supor........ Como disse a moça que faz parte do PCC e que é lésbica, esse preconceito não era conhecido entre eles, ou pelo menos não era declarado, como vemos na sociedade também. Acontece que, como alguns artigos e publicações sobre sistema carcerário mostram, os gays são em grande número. Na hora de apoiar a revolta, talvez, foram importantes. Mas agora, com essa questão toda, de que tem gay até no exército, o pessoal quer "moralizar" o PCC, afirmando que aí não tem gays.
Uma jogada de mestre... quer dizer... não sei a intenção deles de retirar os gays, ou fazer que estes se escondam dentro de algo que já não pertence à sociedade. Afinal, na prisão vai tudo o que renegamos enquanto seres pertencentes de uma comunidade, de uma sociedade fraterna. Diferente do que a maioria pensa, lá estão todos os que cometeram crimes, mas não os verdadeiros criminosos.
E mais uma vez, o dilema.... porque estão discriminando os gays. Ahh, minha amiga disse para tentar ver o caso de uma forma jornalística. Vou responder assim: precisa ser melhor investigada essa informação. Uma fonte só não serve pra muita coisa, e órgãos públicos menos ainda, já que deixaram acontecer as rebeliões, na verdade, eles não sabem de nada... termino rindo.... ou chorando.... vai saber....
Abraços
Mais um videozinho
Dessa vez, é de uma marca de maionese que precisou tirar do ar o seu comercial, pois era protagonizado por um casal gay.
Queria saber até quando iremos ter que engolir esse preconceito todo... isso não é apologia, isso não fere com a moral; é apenas uma demonstração social de que podemos ser diferentes, e sendo assim, não haverá distinções.
Ou vocês preferem continuar a esconder os loucos no sanatório, os deficientes em casa??? Lógico que essa citação é apenas um exemplo, já que a orientação sexual não muda em nada. Desculpe, deixe me expressar melhor. Muda sim, muda muito. Principalmente porque apresentam jeitos mais femininos, ou escandalosos, porque não tem vergonha de dizerem o que pensam.
Mas daí, são as peculiaridades. Entre os héteros têm mulheres das mais peruas às mais conservadoras; entre os homens têm os que são tímidos e os que gostam de azarar, ou melhor, metralhar toda a mulher ou qualquer outro tipo de objeto que possa lhe servir sexualmente. Já que para estes, não há pessoas, pois vê o outro como um proporcionador de desejo.
Fora estas discussões e devaneios pessoais e vai saber o que.... vejam o vídeo. E depois comentem, pois gostaria de saber a opinião, se é ou não agressivo aos olhos dessa sociedade infame.
domingo, 22 de junho de 2008
Não preciso dizer mais nada
O pior de tudo é ver gays, lésbicas, travestis e transexuais agindo de forma repressiva, intolerante e desumana. Qual o problema de um deles declarar que o Exército é um sucesso para os gays? Os homens héteros não comentam aos quatro ventos quando trabalham em algum lugar que o sexo feminino está presente em quantidade e qualidade? O mesmo pode ocorrer com as bichas. Não só o Exército deve ser invadido por um batalhão de novas idéias. Nessa guerra, os homossexuais são o mais certeiro fogo amigo. Deixem as bichas de farda em paz, invejosas!
Trecho da coluna do jornalista Vitor Angelo - revista da Folha de São Paulo de hoje (22/06/2008) - para quem for assinante do UOL. Abaixo o texto na íntegra.... pra quem não for....
Abraços
quinta-feira, 19 de junho de 2008
E assim nasceu Santa Maria
O theatro nem sempre é um espaço democrático. Poucos podem freqüentá-lo. Ao contrário do que acontece pela segunda vez neste ano com o espetáculo Imembuí. Os realizadores pensaram também no público. O espetáculo com entrada franca voltou ao palco ontem (18/06).
Por meio do trabalho coreográfico e musical são reconstituídas as cenas de amor entre a índia Imembuy e o bandeirante Rodrigo. Imembuí e Morotin, como conta a lenda deram origem à próspera cidade coração do Rio Grande. Seu primeiro habitante foi José. A história destes personagens foi escrita pela primeira vez pelo tradicionalista Cezimbra Jacques.
Imembuy era chamada Ibitory-retan (Terra da Alegria) pelos Tapes e Minuanos que viviam nesta terra. Um bandeirante capturado pelas duas tribos torna-se objeto da paixão da filha do chefe Iapacany. Imembuy implora ao pai que não sacrifique o guerreiro branco. O pai atende o desejo da filha, Rodrigo passa a chamar-se Morotin e os dois se casam.
Quem tiver a oportunidade de assistir terá seu dia enriquecido. A impressão é de que você sai mais leve do theatro. Quando é hora de ir embora, tem-se a noção que passou rápido demais. A magia que envolve as cenas não faz ver que o tempo passa. São pequenas sutilezas que fazem a diferença.
Por Regina Vogt - Estudante de Jornalismo da Unifra
domingo, 15 de junho de 2008
Soltando o verbo

Assim Caetano Veloso expôs a importância da fala para se entender a idéia de pertencimento, na música "Língua". Não é por signo do acaso que as diferentes tribos, desde a idade primitiva até as mais contemporâneas, acabam trazendo novos termos para a linguagem. Um capítulo à parte no universo gay é a linguagem beeem peculiar usada no meio. Como toda "tribo", o mundo GLS também elege suas gírias de tempos em tempos e algumas até invadem o dia-a-dia da população. Não é raro algum moderninho hétero falar que o último CD de sua banda favorita "é tudo de bom" e até a doméstica mais desligada já incorporou ao seu léxico termos como “vou te contar um babado”.
Mas, você já imaginou um dicionário que incluísse todos aqueles termos indecifráveis que suas amigas mais pintosas e babadeiras costumam dizer quando estão caçando aquele bofe bombado? Pois é, esse dicionário existe e foi lançado pela Editora do Bispo: “Aurélia, a Dicionária da Língua Afiada” (assim mesmo no feminino porque bicha que é bicha trata a outra no feminino). O primeiro dicionário de expressões gays do Brasil é escrito pelo jornalista Victor Ângelo, 38, que assina com o codinome de Ângelo Vip, e Fred Libi, que na obra se descreve como um "gay de nascença que refugiou-se nos estudos para entender o mundo que o hostilizava". De acordo com eles, o que era "o" vira "a" entre os homossexuais.
O título é uma referência ao famoso "Aurélio", de Aurélio Buarque de Holanda, um dos maiores lexicógrafos do Brasil. "Aurélia" contém 1.300 verbetes, todos descritos, na forma, como em um dicionário tradicional. "O nome é uma homenagem ao Aurélio. Ele é pop. Tanto que quando você fala em um Aurélio, se refere a um dicionário. Seria muito feio se fosse Houaissa”, explica Ângelo. O autor afirma que prefere chamar o livro de "dicionária" e acha que a classificação das expressões gays é importante. "O livro pode ser usado para que os pais entendam o que os filhos falam. E também para que bofes (heterossexuais masculinos) compreendam melhor as frases de suas namoradas, já que muitas mulheres falam como os gays”, explica.
O dicionário inclui palavras usadas por gays de Portugal e de outros países que falam o português, como São Tomé e Moçambique. Além da classificação formal utilizada pelos dicionários convencionais, “Aurélia” traz os bons e velhos substantivos, adjetivos, advérbios e a origem dos vocábulos e expressões.
“Muitos termos do candomblé foram apropriados pelos gays, para que eles fossem entendidos entre si, mas não por pessoas de fora desse grupo. A esse conjunto de termos dá-se o nome de bajubá ou pajubá”, explica Fred. O Bajubá ou Pajubá é o conjunto de vocábulos que tem suas origens nas línguas africanas e que é empregado em rituais religiosos como o candomblé, que aliás sempre aceitou muito bem a homossexualidade.
Quem quiser ser universal e entendido no bajubá vai dar muita risada com expressões como “monsteróide” – bicha monstra e bombada nos esteróides,
”uó” - algo ou alguém ruim, feio, desagradável, “ramé” – bixa mal-vestida e “omivará” – esperma.
Os autores contam que a idéia de reunir os verbetes surgiu há dez anos quando ambos trabalhavam em um site. A pesquisa partiu da prática verbal deles mesmos, com pesquisas pela Internet e com a colaboração de amigos que iam se lembrando de outros termos e os enviavam através de e-mails. Além disso, em cada cidade que eles visitavam para fazer um roteiro gay, surgiam palavras de uso muito restrito a determinada região. “No Rio Grande do Sul a colaboração através de pessoas que nem conhecemos. Elas curtiram a idéia e passaram a nos mandar os termos e seus significados”, conta Vip.
Segundo eles, os travestis são os responsáveis, por boa parte dos termos. "O bajubá é muito interessante, pois antes era um código entre eles. Quando dizem, por exemplo, "aqüenda o alibã", querem dizer cuidado com a polícia", lembra Ângelo.O tom de "Aurélia" é politicamente incorreto. Na primeira página, os autores já avisam: "Este dicionário não tem a pretensão de ser politicamente correto. Muitos termos são chulos e pejorativos, podendo ser ofensivos para determinadas pessoas ou grupos. Nesse caso, recomendamos a interrupção imediata da leitura". "Não teria graça alguma fazer um livro gay politicamente correto. E também, que coisa chata ter que ser chamado de gay. É viado, é bicha. Muitos grupos ficam com essa coisa de chamar de "homossexualidade", o que é uma chatice", conta Fred.
Apesar de escrito por dois homossexuais, o livro várias vezes tira sarro dos próprios gays. No verbete "piti", por exemplo, eles explicam: "Nervosismo, histeria, ataque de bichice". Em “dislexia”: “bicha confusa, com crises múltiplas de identidade, que anda sempre em busca de si própria... e nunca encontra”. “Aurélia, a Dicionária da Língua Afiada” funciona como a “versão bicha” do Pai dos Burros. Para os héteros, que bóiam quando ouvem expressões do tipo, é um excelente guia de sobrevivência. Para as bichas cultas, serve como prova de que a língua é dinâmica e está sempre em transformação. Apesar de tão "politicamente incorreto", parte da renda obtida é revertida a instituições de apoio a soropositivos.
“Que ninguém se prenda a essas chatices de gênero, que são sempre excludentes. Que tem que ser bicha, que tem que não ser, que tem que ser macha ou fêmeo. Seja aquilo que você é e seja feliz. E vamos nos divertir que tudo é truque”, finaliza Ângelo Vip.
Confira agora as expressões mais utilizadas no mundo GLS:
amapoa de canudo - Travesti não-operada
Bater bolo - Masturbação entre gays
Bater bolacha - Masturbação entre lésbicas
Bigodón - Lésbicas com bigode
Cagar no Maiô - Pagar mico
Capô de Fusca - vagina grande
Fazer a lôca - Ficar com muitos em uma só noite
neuza - homossexual japonês ou descendente
levar um banzai - levar um fora do(a) namorado(a)
Lassie - Mulher ou bicha cachorra com cabelos descoloridos
Lamber o carpete - Sexo oral entre lésbicas.
wonder woman - bicha multimídia performática e iluminada
vera boiola - bicha emergente
zoraide - bicha metida a clarividente; esotérica
manja-rola - (SP) gay que se masturba em banheiro público
barbie - homossexual de corpo inflado, adepto da musculação e das bombas
susie - barbie que não toma bomba; musculosa natural
mela-tecla - pessoa viciada em sexo cibernético e que se masturba na frente da tela do computador
nefertite ou matusalém - bicha muito muito velha, embalsamada, mas que ainda conserva uma aura de mistério
Picumã - Peruca, cabeleira, cabelo.
Por Carlos Sanchotene
Matéria feita pra ser publicada na Revista Plural da Unifra sobre a temática gay e não foi publicada.... uma pena... já que em 2008, os gays estão com tudo.... Obrigado ao Carlos, o Arte e Comunicação agradece pela colaboração...
Um abraço